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Imortal

No começo de sua vida seu Onofre nunca fora ligado a nenhuma religião. Filho de família grande-14 irmãos-não era afeito a rezas, igrejas, padre. Aos 16 anos quase ingressara no Colégio das Ordens Eclesiásticas de Olinda. Em verdade nunca foi visto rezando, até um pouco antes do seu filho falecer. Também, em verdade, já aposentado, e com o coração em frangalhos, ele rezava. Dona Zulmira, sua mulher, sempre rezou. Ia à missa, acompanhava procissão, fazia novena... Fazia promessas para tudo...
Em casa a vida era normal. Ao fim do dia deitavam cedo, mas antes ,sentavam lado a lado e se entregavam a Deus em orações. Dona Zulmira sempre puxava a reza:
-Ave Maria cheia de graça, o Senhor é convosco...Depois vinha a Salve  rainha, mãe de misericórdia... As preces incluíam vários pedidos, encerrados assim:-Senhor, proteja o meu marido Onofre e lhe dê muitos anos de vida. Amém!
Seu Onofre, aos 84 anos, contrito, nesta parte não repetia o pedido.
Ao final, se benzia, agradecia a Deus e comentava para sua mulher, baixinho, em tom brincalhão, lhe dando um beijo carinhoso no rosto:
-Zulmira, desse jeito e com essa proteção toda eu não morro nunca!
Eligio Moura
Enviado por Eligio Moura em 12/08/2017
Reeditado em 12/08/2017
Código do texto: T6081258
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Eligio Moura
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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Eligio Moura