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PAULO CECCATO
                                                           “...eu sou o início,
                                                                o fim e o meio"
                                                                 (Guita-Raul Seixas)
                                       
 
- Defuntão!
Assim era como ele me chamava. Quando montou a agência de turismo, logo depois de sua aposentadoria na Prefeitura de São Bernardo do Campo, ao lhe apresentar meu passaporte para umaviagem, viu minha foto e decretou: parece um defunto! O aumentativo foi um passo à frente.
De minha parte, ou ele era Paulinho, ou Ceccato. Uma figura que, desde os idos de 1961, quando ingressei no serviço público, apesar da diferença de idade, quase 12 anos, fez parte do meu dia a dia. Pertencia à equipe de “guardinhas” da Rita Zincáglia, junto com Victório Stocco, Antônio Nilson Padovese, Mazzolinha (japonês), Octavinho, e outros. Volta e meia aparecia ele trazendo um processo, ou um recado, lá no Jurídico. Menino, mas já demonstrava um ar espirituoso, brincalhão, esperto, que, mais tarde veio a ser comprovado. Dificilmente, vi o Ceccato triste! Sempre pronto para um bom papo.
Já nos estertores de minha carreira na Prefeitura, no fim de 1987, tivemos oportunidade de participar, juntos, de um encontro de procuradores municipais, em São Luiz do Maranhão. Uma convivência diária, durante sete dias, que serviu para estreitarmos nossos laços de amizade. Um sentimento bem mais forte, do que apenas colegas de trabalho. Depois disso, era comum nos encontrarmos com outros funcionários, em momentos de lazer, num bom churrasco, que ele sempre promovia nas dependências do DAE, onde ele foi encarregado. Era, na realidade, o centro das atenções, pelo seu espírito alegre, descontraído.
Mais tarde, bem distanciado do Paulinho pelos caminhos do destino, coisa que jamais podemos prever, comecei a frequentar a paradisíaca Cunha, no Vale do Paraíba. O sogro de meu filho Felipe, o Ricardo Hespanhol, juiz do trabalho aposentado, apaixonado pela bela cidade, possuía um sítio ali, e por essa aproximação familiar passei a frequentá-la esporadicamente. Já na primeira vez em que lá estive, sabedor de que o Ceccato estava lá morando, fiz questão de ir visitá-lo. Sua propriedade era uma graça. Logo me apaixonei por ela. Muito cuidada, o que não me surpreendeu, pois bem antes, conheci a Sagramor, sua dedicada esposa, que além do bom gosto, é uma mulher de incontáveis virtudes. O lugar ficava em um local maravilhoso. Aliás, Cunha só tem belas paisagens, nada perdendo, nesse aspecto, para Campos do Jordão. Posteriormente, quando o Ricardo Hespanhol adquiriu uma propriedade na cidade, num excelente bairro, ficaram mais fáceis meus encontros com o Paulinho, dada a proximidade de ambas. Diariamente, ou ele vinha nos visitar, ou lá íamos nós, o Ricardo e eu, saborear suas cervejas, sempre bem geladas. Tipo do lugar onde, não somente eu, mas todos os que o visitavam, se sentiam em casa, pela hospitalidade do casal. Senti muito, quando fiquei sabendo da mudança deles para Brotas, abrindo mão daquele paraíso, que eles transformaram no chamado Pouso Caminho das Artes. 
Quando, no começo deste ano, fui informado do falecimento do Ceccato, não acreditei. Confesso que, ainda, não assimilei a perda desse amigo. Nossa amizade não era de presença constante, e ai está o porquê, até agora, não deixo de recordar os bons momentos que juntos curtimos. Não foram muitos, deveriam ser muito mais. Todavia, serve de exemplo, ou como prova, de que a amizade não depende da distância.
José Bueno Lima
PS - Essa foto, salvo engano, foi tirada do portão da casa de Cunha. Provavelmente, pela Sagramor. É de uma beleza sem adjetivos, e traduz uma profundidade de sentimento imensurável. É para se ficar observando horas e horas.
 
 


          
 
          
 
 
Aristeu Fatal
Enviado por Aristeu Fatal em 19/03/2017
Reeditado em 19/03/2017
Código do texto: T5945889
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
Aristeu Fatal
Santo André - São Paulo - Brasil, 79 anos
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Aristeu Fatal

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