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Entrevista - Sérgio Xavier Filho (Comentarista/Jornalista SPORTV & Ex editor Placar & Playboy)

Hoje temos a honra de entrevistar para o site recanto das letras o jornalista e comentarista do SPORTV Sérgio Xavier Filho. Que durante muito tempo foi editor da revista placar.
Sérgio, agradeço de coração esta entrevista e parabenizo seu trabalho, tanto na TV, quanto na revista.

Segue as perguntas:

1- O senhor nasceu em Porto Alegre, conte-nos um pouco de sua infância e o que o motivou a chegar onde chegou.

R- Filho de médico e professora. Vida confortável, sem luxo, fui viajar pra fora depois dos 20 anos, e por minha conta. Infância de um apaixonado por futebol.  Jogava bola, botão. Queria ser jornalista para ficar perto do meio do futebol

2- A escola de treinadores de Porto Alegre é grande, Scolari, Tite, o senhor acredita que no Rio Grande do Sul em um todo, nós tenhamos os melhores treinadores de futebol do país? Acredita que essa qualidade e dinamismo dos treinadores gaúchos tenha sido um legado pela proximidade com a Argentina que sempre teve boa escola de técnicos também ?
R- Não existe uma escola formal, nem uma ideia que exista uma escola. Vai muito por espelho, pela admiração. Ênio Andrade e Carlos Froner foram figuras inspiradoras, cada uma de um jeito. Não há grande influência argentina no aspecto tático, por incrível que pareça. O enganche, base da escola argentina, não apareceu no RS. A única semelhança é o jogo mais aguerrido na defesa. E só.

3- O que mais te marcou na sua passagem pelo jornal "O Estado de São Paulo"?
R- Quase nada. Foi o lugar em que trabalhei que menos me inspirou. a sucursal foram usn 4 meses, mais uns seis na redação de SP. Aprendi muitíssimo antes no Diário do Sul, um bom bocado no Dinheiro Vivo, bastante na Isto é antes de chegar na Abril.

4- O que te motivou ter migrado do jornalismo econômico para o esportivo?
R- A pergunta é inversa. Como eu fui parar no jornalismo econômico se sempre sonhei em ser jornalista esportivo? Resposta: oportunidade. O primeiro emprego no Diário do Sul era na editoria de economia. Vamos nessa. Dali Dinheiro Vivo e Isto é, sempre em economia. Na primeira chance que pintou no esportivo, nao pensei duas vezes

5- Qual o maior desafio da revista placar?
R- Muitos desafios enormes. Quando entrei, era para tornar o público mais jovem em 1995. Época do sexo, futebol e rock and roll. Depois, provar a relevância de uma revista de futebol na época que aparecia tv por assinatura com canais de esporte, jornal diário de esporte e internet disponível a todos.

6- Como foi a transição da placar, uma revista impressa com a chegada da internet ?
R- Transição ruim. A Abril nunca conseguiu fazer isso direito. Errou em sistema, plataformas, associações com portais. Nunca soube vender publicidade, ficou pra trás. Placar perdeu esse jogo. Do ponto de vista editoria, corremos atrás do prejuízo, sempre..

7- Você concordou com a unificação dos títulos brasileiros pela CBF ? Passei minha infância inteira achando que o Santos tinha 2 brasileiros e de repente pula para oito. Acha que tem decisão política no meio?
R- Unificação foi uma politicagem brava. Conversinha para atender interesses. No ranking Placar sempre respeitamos demais os títulos antes de 1971, dávamos pontuação parecida. Mas chamávamos pelos seus nomes de batismo. Copa Brasil é Copa Brasil, Brasileiro é Brasileiro, Robertão, é Robertão. E sigo assim. Santos venceu dois Brasileiros e mais seis lindos títulos com outros nomes.

8- O que espera do Tite a frente da seleção?
R- Uma grande melhora, mas não um milagre. Se fizer direito seu trabalho, Brasil volta a ser um dos 5 melhores do mundo. O milagre seria ser o número 1. Acho duro com a estrutura em volta, com clubes fracos politicamente, com CBF atrapalhando...

9- O senhor passou pela Playboy, deu para espiar alguma coisa? Brincadeiras a parte, o desafio da Playboy era maior do que o da Placar?
R- Vai sair um livro agora sobre a Playboy. Escrevi um capítulo, dos 2 anos que comandei. Já estava em reta final, a Abril não queria mais a marca. Foi dificílimo por causa disso. Acompanhei um único ensaio de perto. E escrevi sobre essa experiência. Foi com o JR Duran. E foi demais. Aprendi em um dia o equivalente a anos de fotografia de nus. Com 5 minutos de ensaio, a mulher deixa de ser mulher, se torna um elemento daquele trabalho que precisa ficar espetacular nas páginas da revista. Impressionante como quem 'realmente' trabalha num ensaio se transforma durante a jornada. O ensaio é tenso, humores influenciam no resultado final. Vc não fica espiando nada não.

10-Qual o motivo exato de escrever o livro Correria e Vidas Corridas?
R- Escrevi antes o Operação Portuga porque precisava escrever. A turma da corrida gostou demais da história, até porque a história era demais. Aí resolvi compartilhar o que andava escrevendo no Correria. E depois uma editora me pediu uma nova história que deu origem ao Vidas Corridas. Estão funcionando.

11-Chegar ao SPORTV o senhor considera ter sido o auge da sua carreira ? Como é trabalhar nesta emissora?
R- Não sei, acabei de chegar. Só sei que é muito legal, estou vendo que tudo o que fiz antes ajuda na nova função. A bagagem acumulada é usada em cada análise, em cada conversa.

12-Qual foi a melhor seleção de cada uma das últimas 3 décadas em sua opinião ? Me refiro a 90,2000,2010.
R- A que melhor jogava era aquela de 97, com Romário, Ronaldo, RC, Cafu. Mas em 98 não chegou bem. A vencedora foi a de 94, títulos devem ser valorizados. Na década seguinte, a melhor foi a de 2005, estava voando. O sucesso subia na cabeça, de novo o melhor ficou um ano antes da Copa. Nessa década, Dunga fez o melhor trabalho em 2010. Podia ter ganho a Copa, perdeu por falta de plano B

13-Quem foram os cinco maiores jogadores que o Sérgio viu atuar?
R- Pela ordem, Messi, Maradona, Cruyff (vi pouco, mas o suficiente), Falcão e Romário

14-O senhor não acha que as federações sul americanas vulgarizam o futebol da região? Aqui temos países ricos em títulos como Argentina, Brasil, Uruguai, e vemos na Europa, seleções que nem título tem como Portugal serem mais valorizadas as vezes, como mudar isto?
R- Acho que o próprio calendário europeu abre espaço nobre para as seleções. Aqui estamos na pré-história.

15-O que o senhor pensa dos quatro grandes astros dos últimos anos no futebol, Messi, CR7, Neymar e Suarez?
R- Messi está anos-luz a frente dos outros. O segundo nessa lista, pelo repertório, deveria ser o Neymar. Mas ele não se ajuda, o extra-campo o sabota. CR7 é de outra natureza, um dos maiores artilheiros de todos os tempos. Capacidade incrível de marcar gols de formas diferentes. Mas comparar com Messi não é razoável. Um é craque gênio. O outro é artilheiro, grandissimo. Como comparar um arquiteto com um engenheiro. O primeiro planeja, tem a sacada. O segundo executa. Suárez é um bom jogador em um ano espetacular. Anos luz atrás do trio.

16-Ainda existe uma rusga entre Rio e São Paulo ? Se sim, ela é benéfica ou maléfica?
R- Cada vez menor. Já foi enorme, hoje tudo se confunde. O pilantra do paulista Del Nero mora no Rio, por exemplo.
 
17- Defina Sérgio em uma única frase.
R- Alguém que trata os outros como gostaria de ser tratado


Agradeço ao comentarista e jornalista Sérgio Xavier.

Helládio Holanda
Enviado por Helládio Holanda em 28/06/2016
Código do texto: T5681463
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Helládio Holanda
João Pessoa - Paraíba - Brasil, 33 anos
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Helládio Holanda