Rodrigo Contrera (Contreta) sobre o livro Diálogos de Vitor Miranda.

"A primeira vez que vi o Vítor (vi o Vítor é foda) foi na oficina que eu fazia da Lulu Pavarin, em 2013. O sujeito era calado e já dizia que filmava (curtas). Não me lembro de haver visto cena com ele naquela oficina. Soube depois que ele namorara uma das atrizes, por intermédio dela. Hoje, ela é uma amiga próxima. Achei do caralho sua (dele) discrição.

O cara continuava rondando a Roosevelt quando eu teimava em passar as noites naquele antro que mudou bastante desde então. Mudaram os frequentadores. Mudaram os leões-de-chácara. A galera que hoje frequenta a região não me diz muito respeito. Virei ator num grupo do centro e de vez em quando calho de cair naquelas bandas. O Vítor, eu encontro às vezes. Sempre com aquele jeito calado e atento.

Ele faz estes diálogos no Facebook mais ou menos desde que eu cometo meus impropérios naquela tribuna dos pobres. Um dia comentamos de filmá-los (a ideia surgiu após um diálogo, em que sou citado, que está neste livro). Até avisei o pessoal do meu grupo (quando digo MEU grupo é porque tenho um grupo), mas desde então não o ouvi falar mais a respeito. Até o momento em que, por intermédio do facebook, ele anunciou o livrinho (83 páginas).

São diálogos sem lugar definido (pode ser no bar, em casa, na rua, em qualquer lugar) em que personagens em geral não identificados meio que se altercam e opiniões incômodas são largadas no ar, como se fossem lágrimas de crocodilo. Pois a ideia geral é que a vida é essa merda mesma e que os crápulas de sempre sempre estarão por aí curtindo a gente. Porque nós somos os seres de vidas comezinhas. Nós somos os fodidos. Os que ficam para trás. Mas sem lamúrias, tudo certo. É a vida que quisemos, é a vida que nos coube, é a vida que temos.

Ele me pediu que fizesse a ele umas perguntas, pra divulgação. Vão abaixo, com as respostas.

- Qual o maior prazer e dor que vc sentiu?

Prazer com alguma mulher que transei por fora de um antigo relacionamento. E vomitei sangue uma vez pois tive uma crise gástrica devido ao sentimento de culpa.

- O que é instante, pra você?

O instante já foi, já passou.

- Qual a urgência que vc SENTE em eternizar o instante?

Tenha paciência meu caro. A vida é longa.

- Que tipo de sujeito/sujeita jamais entraria em seu livro?

Todo tipo de sujeito entra no meu livro. Principalmente quando quero falar mal de todo mundo

- Qual a maior prova de amor à humanidade que vc consegue conceber?

Não consigo conceber prova de amor nenhuma à humanidade. Não gosto da humanidade.

- Por que você disse que meu nome é contreta, seu pulha?

Foi apenas um erro de digitação. Mas já que te incomodou o bastante, te chamarei assim para o resto da vida.

Ou seja, bem isso. Bem “Feios, sujos e malvados”. "

Vitor Miranda e Rodrigo Contrera
Enviado por Vitor Miranda em 16/09/2015
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