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As Paisagens e os Retratos

O viajante ao viajar busca entender-se melhor a si mesmo e ao olhar o mundo em outras perspectivas. O autoconhecimento é ainda uma das facetas do longo processo que é a viagem em si mesma ao longo da vida, pois a viagem é um processo.

Trata-se de uma fuga não declarada dos problemas familiares e cotidianos que azedam semanas e dias, e a fuga serve para isso, cada viajante parte em busca de uma aventura que possa viver em paz e tranquilidade durante alguns dias da sua vida.

A busca por aventura ou experiências agradáveis deve também fazer parte do pacote, é uma parte importante de todo o processo, é um esforço para sair da rotina, e requer planejamento e outros detalhes como preparar malas. Nesta coluna , eu abrirei um longo parenteses, relatar acerca da  minha viagem de cinco dias em Santa Catarina. Sendo mais específico  na cidade de Tigrinhos, na companhia de um amigo de infância.Dando continuidade  vou falar somente das enormes diferenças de paisagens e retratos de que tantos hoje tiram com o celular e outros aparelhos eletrônicos.

As paisagens são reflexos de que vemos das janelas de um ônibus, que depressa passam diante de nossas faces e alguns logo esquecem delas. Os artistas normalmente se dedicam a essa solidificação de uma paisagem com o processo de pinturas e como um remodelagem da paisagem em si mesma.

Sinceramente , os artistas em especial os pintores se dedicam a elas com muita facilidade. Após ter lido a obra  'O Poder da Arte' fiquei fascinado ao saber muitas coisas até então que desconhecia de fato , o histriônico historiador Simom Schama chamou atenção pelos inúmeros detalhes curiosos que foram de fato expostos com muito cuidado e atenção por ele.
 
Paisagens sempre são alvo de atenção dos pintores, em especial os oitos escolhidos por Simom Schama. O livro é baseado na série de televisão homônima que Schama produziu para a BBC. Não se trata de um compêndio tradicional sobre história da arte. O autor não nos conta as minúcias técnicas de cada artista, mas nos apresenta momentos em que eles foram obrigados a reformular ou recrudescer suas concepções de trabalho.

Assim  Schama fala do drama da criação, dos momentos “em que o artista, sob enorme pressão, empreende um trabalho extremamente ambicioso, no qual se incorporam suas crenças mais profundas”. Incorporar em suas pinturas suas crise e sofrimentos também pessoais que fazem parte da vida de um artista  ao longo do seu processo criativo.

Isso sem se importar em desenhar   um panorama da história da arte, o autor se atém a momentos em que a criação da beleza não pretendeu apenas ser um agrado aos olhos, mas “uma arma de guerra”, como definiu Picasso. É dessa oposição entre o agrado suave aos olhos e a força inconveniente da arte que Schama constrói seu raciocínio. Como o próprio autor sintetiza: “Os dramas que formam O poder da arte são histórias pessoais e também histórias da arte. O sucesso ou o fracasso de seus protagonistas envolvia elementos cruciais de nossa existência individual e coletiva”.

Sutilmente o processo remodelar uma paisagem feita a partir de um olhar pessoal do artista, em que limita uma única paisagem a um só quadro, trata-se de um tremendo esforço pessoal do artista em enfatizar uma única paisagem que lhe chame atenção no momento adequado da pintura, essa remodelagem ainda requer conhecimentos técnicos e enciclopédicos que o artista deva ter ali na hora da inspiração.

Agora entendemos também que a pintura se encaixa como um processo de construção e de reconstituição da memória do artista que remonta assim uma paisagem recriada partir do que conhece ou se lembra , os livros de arte revelam isso do conteúdo latente de cada artista em especial, os citados no Poder da Arte do Simom Schama, essa etapa da criação de um artista requer um montar um quebra-cabeças enorme de mentalidade , um verdadeiro mosaico bizantino.

Geralmente uma paisagem revela o apego a Natureza , em especial áreas floridas e bonitas de que um artista se lembra, por outro lado a pintura relembra um fundamento globalizante de todas as formas de arte, a mimetização da realidade ali expressa.

Eu admiro três artistas deste livro que foram bem esclarecidos: Van Gogh, Rembrandt  e Mark Rothko, esses três ao representarem uma retraída trindade de magníficos artistas revela uma origem sofrida e frustrante da vida de um artista e de um homem de visão.

Nem sempre , ser um artista significa ter uma visão de futuro , mas esses tiveram ainda que tardiamente no seu momento como celebridades da Arte no mundo, essa sincronia se confunde e se difunde até hoje no mundo das Artes, em que artistas e curadores desejam um pouco de espaço ao sol.

Solenemente , o artista se dispõe a pensar em sua arte sem a ideia de virtude ou excesso, como muitos teóricos desejam sempre desta forma utópica e de corte ideológica que desenham o mundo artístico a cada momento que se passa rápido  como as areias do deserto.“A grande arte tem péssimos modos. A silenciosa reverência da galeria pode levar você a acreditar, enganosamente, que as obras-primas são delicadas, acalmam, encantam, distraem - mas na verdade elas são truculentas. Impiedosas e astutas, as maiores pinturas lhe aplicam uma chave de cabeça, acabam com sua compostura e, ato contínuo, põem-se a reorganizar seu senso da realidade.”

E agora passando das paisagens para os retratos, os artistas são profissionais ao pintar com os necessários equipamentos e ferramentas para a pintura em si mesma. O retrato é  uma reprodução fiel do momento e um processo de congelamento da imagem, em que não carece de profissionalidade exata e fria.

O retrato reproduz uma imagem perfeita á luz da inteligência humana, a frieza da fotografia revela e revisão de entendimento do mundo acerca do fotógrafo em especial, também é uma forma de Arte no sentido da palavra , essa exatidão exagerada se insere em um mundo que quer exatidão fria.

Somente as pessoas tiram retratos para guardar na memória as pessoas que lhe são queridas e importantes, as paisagens nem sempre são importantes nas suas vidas em especial , amigos e família , por isso lhe fazem álbuns de recordação.

Realmente o leitor deve ter em mente , a visão de que um pintor e um fotógrafo fazem a mesma coisa em momentos diferentes e situações que lhe sejam adequadas na hora em que fazem seus trabalhos de forma personalizada e exata.

Essa exatidão é operada mediante diversos esforços do fotógrafo e da pessoa a ser retratada,ao contrário a pintura exige um pouco mais de tempo do pintor em questão, esse esforço na verdade é um desdobramento criativo e social que exige dele assim um bom tempo.

Talvez insira uma nova configuração de conhecimentos sobre a tela, e aponte um novo caminho para o pintor em questão, que esteja ali a desenhar um novo desenho baseado nos rabiscos ou nos pontos pingados em uma tela ou um quadro , esse esforço é uma combinação criativa.

Realmente, essa diferença criativa entre o pintor e o fotógrafo exatamente nos dias de fotografia e pintura, uma imposição criativa demonstra uma fidelidade do artista com os outros em questão, esse esforço é somado aos interesses de que faz a encomenda da pintura.

Assim o pintor se desdobra com força ao peso da cobrança fria dos marchands e dos galeristas que querem expor logo sua obra de criação que foi feita sobre medida , mas a mostra fotográfica teve o maior peso de originalidade em questão.

Talvez se acredite que o pintor busque recompor o que   sua memória reserva para se adequar ao ser montada na tela uma paisagem esplêndida e exata. Por sua vez o fotógrafo recupera isso em uma foto no porta-retratos da família. O amigo Josué redesenha sua foto nessa perspectiva, o olhar nas fotografias quando tira, essa mudança dá uma enorme diferença.

Os pintores e artistas  usam sempre caminho do jogo das perspectivas para conceder uma nova mudança nas pinturas e na criação artística , simplesmente acredito que uma pintura ou uma fotografia pode dizer muito em relação ao contexto da criação que deseja assim realizar na hora.

Sinceramente meu caro leitor , assim chegamos as linhas finais desse texto interessante, gostaria que os leitores desse seus pontos de vista sobre as colunas escritas. Leia  a obra 'O Poder da Arte' de Simom Schama e também procure ver as pinturas de Mark Rothko e Rembrandt, são ótimas indicações.

JessePensador
Enviado por JessePensador em 10/08/2017
Código do texto: T6079399
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Sobre o autor
JessePensador
Santana de Parnaíba - São Paulo - Brasil, 33 anos
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