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etimologia da lingua portuguesa nº89

             Etimologia da Língua Portuguesa por Deonísio da Silva Nº89.

      Gastança tem origem em gastar, do latim vastare, pilhar, devastar. Muitos governos, no país, foram acusados de praticar a “gastança”. Rosa, uma das flores mais conhecidas, vem do latim rosa. Integra expressão como vida cor-de-rosa, que indica felicidade.

      Didático: do francês didactique, didático, que se presta ao ato de ensinar. Como adjetivo, aparece no francês por volta de 1600.Chegou à língua portuguesa no século XIX, indicando que foram tardias nossas preocupações com o ensino. Até a segunda metade do século XVIII, o ensino foi atribuição quase exclusiva de uma ordem religiosa, a Companhia de Jesus, com sua célebre Ratio Studiorum ( Razão dos Estudos), espécie de primeiro manual sobre o ensino, evitado depois que o Marquês de Pombal (1699-1782),  todo-poderoso ministro do rei português dom José (1714-1777), expulsou os padres jesuítas dos domínios portugueses. Originalmente, porém, a palavra didática radica-se no grego didaktikos, do verbo didaskein, ensinar.

      Gastança: de gastar, do latim vastare, destruir, pilhar, tornar deserto, devastar; é neologismo criado por economistas e jornalistas especializados, para designar o antônimo de poupança. O porco tornou-se símbolo de poupança depois que a figura foi estilizada na forma de um recipiente para moedas economizadas, invenção do militar e engenheiro francês Sebastian Le Pestre (1633-1707). Depois de calcular que em dez anos um só porco resultava em 6 milhões de descendentes, decidiu que o animal poderia ser um bom símbolo para as crianças fazerem do simulacro uma caderneta de poupança. O porco é responsável pelo nome Wall Street (Rua do Muro), centro financeiro mundial, em Nova York, porque antigamente havia ali uma cerca que separava o perímetro urbano das fazendas onde eram criados porcos. O porco está presente também em um dos símbolos dos Estados Unidos, o personagem Tio Sam, calcado no empresário Samuel Wilson ( 1766-1854), que enviava carne de porco salgada às tropas  americanas que enfrentavam a Inglaterra na guerra de 1812.

      Infecção: do francês infection, mancha , mácula, mácula de pecado, radicada no latim infectione, declinação de infectio, palavra de domínio conexo com o verbo facere, fazer, presente igualmente em fazenda. Originalmente a infecção designava ainda desonra e estupro.

     Messias: palavra vindo do aramaico mexiha, ungido, mas com escala no latim eclesiástico Messias, já designando Jesus. O menino cujo nascimento é tão celebrado no mundo inteiro é um dileto filho do judaísmo e recebeu o acréscimo de Cristo ao nome Jesus, Jexua em hebraico, por influência do grego Khristós, ungido, abençoado, sagrado, do verbo khríein, entregar óleo. O óleo é utilizado desde os tempos mais remotos para as sagrações, inclusive reis. A Igreja conservou em sua liturgia o uso do óleo, empregado no batismo, na crisma --- que tem esse nome por usar óleo, porque óleo é chrisma em grego --- e também nas ordenações sacerdotais, feitas pelo bispo. Este, ao administrar o sacramento da ordem, diz a frase latina “Tu és sacerdos in aeternum”( tu és sacerdote eternamente). Na liturgia  da missa, uma das récitas alude a Melquisedec, o primeiro sacerdote a oferecer pão e vinho, ao contrário de Aarão, cujos sacrifícios eram animais.

      Porco: do latim porcus, porco. O animal vinculado  à sujeira, levou a expressão porco-sujo, o diabo. Deixou-se de lado sua grande inteligência, que o põe ao lado de golfinhos e elefantes. São porcas que localizam trufas, pois os cogumelos, enterrados, exalam odor semelhante ao dos machos em épocas de acasalamento . as trufas, tubérculos apreciadíssimos na culinária e somente encontráveis na Europa, chegam a custar mais de 2000 dólares por quilo. Calcula-se que hoje exista no mundo um porco para cada  cinco habitantes, mas em Londres três porcos para cada um . Quem mais consome carne suína no mundo é o dinamarquês : 77 quilos por ano.

      Rosa: do latim rosa, rosa, designando conhecida flor. Está presente em expressões como existência cor-de-rosa ou futuro cor-de-rosa, indicando felicidade . E na quadrinha popular: “As rosas é que são belas,/Os espinhos é que picam;/Mas são as rosas que caem,/ São os espinhos que ficam ...” Na década de 1980, o professor italiano Umberto Eco estreou com um romance, logo transposto para o cinema com o ator Sean Connery no principal papel, intitulado O Nome da Rosa, que se passa numa abadia medieval,. A narrativa vem repleta de citações em diversas línguas e seus personagens discutem sérias questões filosóficas e teológicas. O atual papa, Bento XVI, nome adotado pelo cardeal alemão Joseph Ratzinger, talvez possa ser melhor entendido se comtemplado à luz de alguns personagens desse grande romance. O poeta Vinicius de Morais (1913-1980)comparou a bomba atômica lançada sobre ao Japão na II Guerra Mundial a uma sinistra rosa: “ Mas oh não se esqueçam/ Da rosa da rosa/ Da rosa de Hiroxima/ a rosa hereditária/ A rosa radioativa/ Estúpida e inválida. “

         Deonísio da Silva é doutor em Letras pela Universidade de São Paulo, diretor do Curso de Comunicação Social da Universidade Estácio de Sá, no Rio de Janeiro, autor de De Onde Vêm as Palavras ( A Girafa, 14ª edição) e Avante, Soldados: Para Trás (Siciliano), entre outros 28 livros. E-mail: deonisio@terra.com.br

                                         Revista Caras
                                                2005
Doutor Deonísio da Silva
Enviado por zelia prímola em 09/08/2017
Código do texto: T6078798
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Sobre a autora
zelia prímola
Recife - Pernambuco - Brasil, 77 anos
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