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Neste ensaio  chamado de vida

 
 
Vai, vai, e aos poucos sai, sai, deixando
em alguma parte da estrada
os teus fragmentos que ainda voltarão,
Conseguirás ser a tua própria construção.
Quando deixei de ser uma paisagem
agradável aos olhos de quem não me vê,
Quando me recolhi sem platéias,
quando não me preocupei com o que eu poderia ser,
Redescobri o meu mundo.
Nele eu caminho.
E nesse novo caminho eu prometo para mim mesma,
Tentar não repetir alguns erros. Nunca mais.
Ruas, quantas ruas sem saídas.
Quedas, lutas, conquistas,
Vida prosa, vida verso, vida dramas,
Nesta vida de sol incerto,
Nesta vida chuva,
Nessa vida tempo, tempo de viver o hoje,
Deixando para trás alguns momentos,
Os inesquecíveis até, de sonhos e desilusões.
É chegado um momento de consciência,
E saber que o importante mesmo é viver e saber,
que o que conta no final são as  lições,
é o que nos faz respirar e sentir a brisa.
Eu, trajetória, eu recomeços,
Ouço melhor o canto dos pássaros...
Vejo o reflexo da lua ou do sol chegando no lago, parado.
Sou gratidão, aceito a minha realidade.
Lembro das grades que o destino
quis impor para que eu nada alcançasse,
fui rebelde sim.
Quantas vezes precisei parar
e onde quer que eu estivesse
algo mais forte que eu, pedia pra eu me relatar.
Por entre lágrimas, eu escrevia,
ou descrevia um pouco da minha felicidade.
O meu olhar pairava no horizonte,
Eu sonhava, criava forças e sorria
Sem rima, sem constrangimentos.
Longe de mim,
ser poeta,
longe de mim, ser escritora.
Se existisse um certificado
para o sofrimento, eu seria na vida pós graduada, eu seria
uma doutora, que desejei contigo percorrer.
Das minhas montanhas verdejantes, esvaindo-me por entre as cortinas.
Quando escrevo, eu sinto apenas a minha vida aos poucos, morrer.
Ao mesmo tempo aceitei,
Sei que o amor nasce,
Cresce!
E que sozinho ele vive sem morrer.
Eu não crio, eu não sou o rascunho,
Sou somente o ser abstrato
o instante insistente,
onde sou feliz ou sofro.
Hoje caminho em desalinho,
Mas sinto muito mais meu, cada instante.
Em cada pedaço de chão que eu passo
os meus olhos sorriem, agradeço,
Agradeço,
Pelas folhas verdes que adoro,
pelas folhas secas que caem
piso com gosto, descalça, tudo
e sinto uma alegria invadindo-me.
É como se olhando para o céu
Algum anjo estivesse me dizendo
Ainda há tempo, vá, sinta o chão,
Ele não lhe pertence,
Mas você pode admirá-lo e correr
Isso é a liberdade, seja você.
Assim sendo, nada nos pertence,
Mas siga sem olhar os ponteiros do relógio.
Caminho.
Por onde vou, levando alguns restos de sonhos
outros, para trás vou deixando.
De um lado passa um rio
deixando às suas margens, mais lindas,
as flores silvestres...
Caminho, e do outro lado, ficam as árvores.
O vento não para, eu piso em folhas secas sim,
pulo pedras, penso, cada voo é um passo que dou
é um pássaro que se perdeu e se achou no voo.
Já não sonho, vivo, enquanto viva, me reencontro
tento deixar nos versos tortos a melhor parte de mim.
Liduina do Nascimento
Enviado por Liduina do Nascimento em 20/05/2017
Código do texto: T6003923
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Liduina do Nascimento
Fortaleza - Ceará - Brasil
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Liduina do Nascimento

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