“ESCARRA NESSA BOCA QUE TE BEIJA” – Povo Brasileiro

"Escarra nessa boca que te beija”, esse verso do poeta paraibano Augusto dos Anjos, é um dos mais conhecidos na Literatura brasileira, utilizo-o como abertura deste texto para fazer uma analogia ao ditado popular: “Quem com ferro fere, com ferro será ferido!” Sim, me refiro à mais alta hierarquia da Política brasileira, mais uma vez atingida essa semana por acusações definitivas de corrupção, vileza e desonestidade; e que, dessa vez, as acusações não figuraram apenas sob face de falácias sem provas concretas, agora, existem materialidade, algo táctil, veracidade, fato, motivos para os envolvidos necessitarem de ansiolíticos fortes à noite para que os façam desaparecer.

Disse Temer sobre Joesley Batista: "Ele prejudicou o Brasil, enganou os brasileiros e, agora, está no Estados Unidos. Quero aqui observar [...] as incoerências entre o áudio e o teor de seu depoimento. Isso compromete a lisura de todo o processo por ele desencadeado.”
Enganou os brasileiros?! Como assim?! Prejudicou o Brasil?! Joesley Batista, dono da JBS, delator que fez as mais bombásticas revelações dentro dos muros do Palácio do Planalto até agora, não é um santo, na verdade, ele é tão picareta quanto a maioria da oligarquia do mundo; mas, com inteligência maquiavélica, vislumbrou que seria o próximo na Lista da Lava Jato, assim, criou e tentou um plano ultra audacioso que acabou dando certo – gravou o “Inteligente” do Jaburu. Agora vejam a ironia: Toda a experiência que Temer tem em enganar seus milhões de eleitores, de fazer-lhes as mesmas velhas promessas, somente para não acabar com suas regalias e vida de luxo, entrando em barracos esfarrapados de pobres de periferias, do sertão e das veredas, a esquecê-los por temporadas, na miséria de suas vidas... hoje, tendo que vir a público dizer que foi enganado.

“Escarra nessa boca que te beija.”  

Ele tenta se defender, justificar em vários depoimentos da cagada que fez, mas sua credibilidade que já estava quase no zero, desceu como um elevador despencando no foço e só não atingiu o chão porque PSDB e PMDB seguraram o cabo de sustentação dele, que não subiu, mas, pelo menos, ficou estagnado no lugar onde foi parado.

Mais engraçado é Aécio e seu discurso de arrependimento, não sei realmente a quem ele pretende convencer, pois seu papinho de sempre, pautado na linguagem culta objetiva e elitista, no exemplo Bill Clinton, se fazendo de vítima é bem convincente, já que parece mais um melodrama mexicano.

“Lamento sinceramente minha ingenuidade... a que ponto chegamos?” Disse ele. – É, Aécio, a que ponto chegamos! Será que você sentiu um pouquinho do que brasileiros, reles mortais, sentem ao se deixar enganar por vocês, pseudo representantes da população, quando, na pobreza, na miséria, na alienação e na fragilidade social da vida, sem ter a possibilidade da sobrevivência do dia a dia se tornam o alvo preferido, por um presentinho qualquer de enganar o derrotado, colecionam vitórias terríveis de usurpação.

“Escarra nessa boca que te beija.”

Por último, Aécio disse que não sabia que em sua frente estava um criminoso sem escrúpulos, na verdade o que ele via nada mais era do que sua imagem refletida no espelho. Nessa mandala, montanha russa de informações secretas e deveras compartilhas, pergunta-se: Quem será o próximo?

“Todos estão assistindo ao enterro de suas últimas Quimeras.”
Agmar Raimundo
Enviado por Agmar Raimundo em 22/05/2017
Reeditado em 22/05/2017
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