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Troca de gentilezas

(Para quem deseja treinar, em casa, redação com vistas ao ENEM)

Início da redação.

Que título amável!
As crianças, ingênuas em suas brincadeiras de crianças, acreditam nisso de trocar gentilezas: dá um presentinho e recebe um presentinho. E se desculpam se não vão à festinha. Quando se machucam, trocam de bem. Botam em prática a ideia de trocar gentilezas. E seguem o que era assim há muito tempo. E funcionava desse modo ainda que não fossem crianças no tamanho e na cabeça de criança. O certo é que funcionava e funciona essa regra do jogo. Uma porteira para as atividades planejadas nas cabeças menos crianças. E tudo se realizando com o aval dos comprometidos. Uma cadeia, elos em sequência, de cá e outra de lá. Grupos e grupelhos. Grupos porque trocando gentilezas geram trocas de gentilezas, na sequência do rastro filosófico do senhor Gentileza.

Meio da redação.

Entrou em cena o mensalão na troca de gentilezas. Partidinhos, nanicos, sendo gentis com partidões: um grupo de lá e outro de cá. Uma cortina foi soprada e a brisa invadiu e foi acordando quem dormia. Ainda sonolentos, abriam os olhos. O acordo não era tão barulhento. Não era uma lufada. Uma brisinha de nada não sacode tanto, nem aderna o barco. Mas é indício de ventania. De tufões. De gentilezas aos borbotões, às enxurradas, em avalanche à moda Samarco que devastou, que arrastou à miséria, que sujou tanto que o mundo inteiro manifesta piedade. E o povo, com nojo dos que agradam, quase não fala. E na lufada veio a lava jato para ver que tantas trocas eram aquelas que empobreciam não só o poder público, mas o povo todo, dos mais cabeças aos mais ingênuos. Os presentinhos tornaram-se ajudas. E ajuda virou metáfora. Uma daqui, outra de lá, compadres no cenário de trocas de gentilezas. Falcatruas destinadas a ridículos esconderijos em formas nominatas grotescas, toscas, num cenário devastador que nem o da lama da Samarco. Agora às claras em seu todo, as gentilezas ganham nome de ajuda. Ajudões! E ajuda daqui e de lá tornaram-se ajudas políticas, ilícitos que não vê país, nem ética, nem povo. Que vê o próprio umbigo. Que devastam nem o rastro de lama da samarco que não viu povo nas ribeirinhas, nem vidas no extenso Rio Doce, que amarga a sua doentia história sob o olhar triste e pobre dos ribeirinhos.

Fim da redação.

Já que empresários e políticos se uniram para pôr fim à moral brasileira e criarem um cenário devastador que desafia qualquer confiabilidade e sustentabilidade do setor público, vamos finalizar nossa redação com uma sugestão pouco provável, mas que não custa tentar. Antes vamos refletir sobre o número de quantos somos com baixa capacidade de conscientizar os malefícios dessa política - que se dane o país, eu estou na minha! - de conluios e gentilezas. Vamos nos conscientizar de que todos vítimas desse procedimento imoral. E vamos tomar uma decisão trabalhosa e pacífica, que nem a que Mahatma Gandhi liderou na Índia contra a ajuda da Inglaterra: "Você nunca saberá que resultado virá de sua ação. Mas, se nada fizer, não haverá resultado algum." E vamos abandonar qualquer revolta alimentada pela massificação de notícias briguentas. Vamos, sentados nas praças, nos púlpitos, nos coretos, nas margens das estradas, nas ruas das cidades, nas cadeiras de rodas, vamos, unidos, praticar uma decisão pacífica e mobilizadora da opinião pública. Vamos livrar o nosso País das trocas de gentilezas entre políticos e empresários.

Zélio
Enviado por Zélio em 21/04/2017
Reeditado em 22/04/2017
Código do texto: T5976841
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
Zélio
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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