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Um Dia de Feira

“É dia de feira,
Quarta-feira
Sexta-feira
Não importa a feira
É dia de feira
Quem quiser pode chegar...” (1)

Foi mais ou menos num clima bom de outono, ontem, e num domingo, que aproveitei um convite para a Feira Internacional de Frankfurt. Confesso que nunca havia estado numa Feira do Livro com tamanhas proporções; me perdi lá dentro, contei uns 10 prédios! Usei várias vezes o serviço interno de micro-ônibus pra me locomover.

Vi quase de tudo: estandes de vários paises, filmes, desfiles de personagens fantásticos, mesas de escritores, o livro mais longo e pesado do mundo, etc. Convidado de honra deste ano foi a Argentina, parte que escolhi para visitar com mais atenção. As opções eram tantas e foi difícil fechar um programa que, ainda bem, se podia personalizar no site da Feira na internet.

Ajudou bastante ter me programado antes pois, na prática, gastei ainda um certo tempo para “me achar” no meio de todo aquele espaço, mesmo portando um mapa -- confesso que sou ruim com mapas, embora assuma o papel de navegadora muitas vezes, ao explorar novos lugares. Devagar e com calma se consegue tudo!

Pois bem, ponto alto do dia foi uma mesa de escritoras sobre o tema Mulher e Poder na Argentina nos últimos 200 anos. Questões de Gênero (Gender) me interessam muitíssimo e a mesa foi excelente! Participaram dela as escritoras Graciela Araóz, Ana María Shua, Elsa Drucaroff e Luisa Valenzuela. Desconhecia todas, mas fiquei com muita vontade de conhecê-las depois de presenciar esta mesa de discussões. Para isso serve uma Feira de Livros: aproximar leitores, livros e autores, não?

As discussões foram em Espanhol, com tradução simultânea para Inglês e Alemão. Vendo o esforço dos intérpretes nas cabines, lembrei do protagonista de 'Corazón tan blanco', romance de Javier Marías que, desde a primeira linha me ganhou e até agora está me proporcionando uma leitura magnífica. O protagonista é um intérprete e revela certos “segredos” desta profissão que, para ele, praticar por toda a vida faz enlouquecer. Haja responsabilidade nisto: o futuro do mundo na boca de alguém!

Sim, mas de volta à Feira, visitei também estandes brasileiros, não sei se todos. Muitos livros (já antigos) estavam só em exposição, não à venda. “Por causa dos direitos”, disse uma atendente. Eu bem poderia ter tentado saber mais sobre os porquês, já que se tratava de uma associação de editoras brasileiras, contentei-me no entanto com a resposta e segui visitando. Para matar a saudade do Português comprei alguns livros num estande português.

“Adeusssss!”, disse-me a vendedora. “Português de Portugal; no Brasil se usa dizer ‘Tchau’”, falei para minha acompanhante, em Alemão. “Então Ciao!!”, nos disse a ‘vindidora’ com um sorriso. Estou contente com o poeta e o ensaísta portugueses que trouxe para casa. Esperava pagar menos pelos livros numa feira, mas acho que foi em conta...

Impressões rápidas e finais: A Feira do Livro me pareceu, acima de tudo, um evento puramente comercial, ainda oferecendo oportunidades para estreitar o triângulo leitores, autores e livros, bem como espaços para encontros, discussões, promoção de livros e arte em geral. Prefiro eventos menores e mais aconchegantes, como mesas de discussões em pequenas livrarias ou cafés literários. Bom, mas esta é uma questão pessoal. Gostei muito das mesas e apresentações que tive o privilégio de presenciar. Hoje cedo, ouvi no noticiário sobre a satisfação dos organizadores: um sucesso em todos os setores,  279.325 visitantes em cinco dias.

Senti-me privilegiada por ter podido participar este ano. Quem sabe não ganho outro convite para 2013, quando o convidado será o Brasil? E se não ganhar, faço questão de pagar (pelo menos um dia) pra ir lá ver, quando espero encontrar conhecidos e muito mais autores e livros (bons e novos!) representando o país.

(1) – Trecho de A Feira, O Rappa.

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Helena Frenzel
Enviado por Helena Frenzel em 11/10/2010
Reeditado em 11/10/2010
Código do texto: T2549854
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Helena Frenzel
Alemanha
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