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Os Segredos da Rua Baker 2: 5- The Old Friend (parte I)

O mais novo quarteto da lei composto pelas irmãs Holmes, o inspetor Smith e a sargento Miller, era visto com perfeição pelos outros investigadores, porém se olhassem um pouco mais de perto veriam como a relação entre eles era conturbada. Miller e Irene nunca se entendiam, sobrava para o John e a Diana a responsabilidade de apaziguar as brigas entre as duas.

Sem falar que o inspetor estava passando por um momento complicado em sua vida, pois seu apartamento alugado estava inundado. Conseguiu fazer uma gambiarra, mas o conserto de verdade seria muito caro, então demoraria uma vida para realmente fazê-lo. Conseguia passar boa parte do tempo na 221B, mas já estava ficando incomodado com isso e decidiu ficar em um hotel. No entanto, durante uma investigação Irene demonstrou com toda sua sutileza que não se importa em dividir a casa.

—Você devia se mudar para a 221B. – Ela disse enquanto mexia no corpo de um homem com um garfo cravado na parte de trás da cabeça. Miller, Diana e John a olharam sem entender de onde isso veio. – O que? Oh qual é! Vocês devem ter percebido. Ele está morando em um hotel há quase um mês por causa de uma infiltração em casa.

—Como pode saber disso? – Miller perguntou.

—Diana, quando comentou sobre o John estar dormindo cada vez mais lá em casa, eu notei que quando chegava ou nos encontrávamos com ele em algum lugar, sempre tinha parte das roupas molhadas. E de repente começa a aparecer com as roupas todas secas, muito bem lavadas e dobradas. Com certeza não casou ou está se relacionando com alguma mulher viciada em cuidar das roupas do namorado. Infiltração no apartamento, ele começou a se sentir incomodado por passar tanto tempo na 221B e agora mora em um hotel. Tudo muito óbvio.

—É verdade, meu apartamento inundou, está um caos. Mesmo assim, Irene, eu não vou morar na sua casa.

—Por que não? Você já fica lá boa parte do tempo e a Diana não vai voltar mesmo. Tem espaço o suficiente.

—Irene...

—Esse homem apenas escorregou nessa embalagem e acabou caindo no garfo que estava aqui. Apenas um acidente. Eu o espero hoje à noite, poderá ficar no quarto que já costuma usar. Até mais.

Não teve como discutir, no fim do dia John pegou suas coisas e foi para a Rua Baker. Ele já estava bem acostumado à rotina estranha da Irene e, na realidade, achava até divertido. Assim se passaram algumas semanas e as únicas pessoas a entrarem ali, fora a Miller e a Diana, eram os clientes que vinham se aconselhar ou pedir para Irene resolver algum caso. Portanto, não se pode ficar surpreso com o quanto John ficou embasbacado, além de um tanto enciumado, ao vê um homem saindo pela manhã do quarto dela com a camisa e os sapatos na mão.

—Você deve ser o John. – Disse o homem estendendo a mão. – Irene me falou que dividem a casa.

—Sim, onde ela está? – John falou ao cumprimenta-lo.

—Ela está dormindo, não quis acordá-la. – Ele estava colocando a camisa e os sapatos enquanto falava. - Irene dormindo é bem bonitinho de se vê, nem parece com a psicopata que costuma ser quando está acordada.

—Sociopata altamente funcional. – O cara sorriu para John ao ouvi-lo dizer isso. -Quem é você?

—Sou um amigo. Por favor, diga para ela que estarei no lugar de sempre se quiser me ver de novo.

O sujeito, que por sinal era muito bonito e com aparência árabe, se despediu com um aceno de cabeça e saiu. Algumas horas depois, Irene entra na sala colocando a jaqueta, parecia procurar pelo amigo.

—Você viu alguém saindo do meu quarto?

—Sim, quem era ele?

—Onde ele está?

—Ele foi embora. Quem era ele?

—O que? Aquele filho da mãe! Ele disse algo?

—Disse que estaria no lugar de sempre se quisesse vê-lo de novo.

—Foram essas as exatas palavras dele?

— Por favor, diga para ela que estarei no lugar de sempre se quiser me ver de novo.

—Desgraçado! – Ela colocou as luvas, o cachecol e se encaminhou para a escada.

—Irene, quem era aquele homem?

—Um amigo!

—Agora tem amigos que dormem com você?

Ela parou e o olhou.

—Eu não pretendia dormir, mas ele conseguiu me fazer pegar no sono.

—Como?

—Me drogando, John!

—O cara te drogou e você ainda o chama de amigo?

—John... – Ela foi até ele. –Independente do que acontecer, lembre-se disso: ele é meu amigo.

—Ok.

—Não, John, nada de falar da boca pra fora. Prometa que irá lembrar-se disso sempre. Ele é meu amigo.

—Você está começando a me assustar.

—Por favor, John, prometa.

—Eu prometo.

John viu nos olhos dela certo temor, não imaginava o que poderia significar, após Irene deixar a 221B ele acabou descobrindo uma parte da história. Quando ele chegou à Scotland Yard, Miller o estava esperando com a foto de um homem chamado Aban Haddad, um terrorista procurado pelo mundo inteiro e havia sido visto na Inglaterra. Por pura coincidência ou não, era justamente o homem que viu pela manhã. Tentou por horas falar com Irene, mas não conseguiu, então ligou para Diana. Eles se encontraram em um café ali perto.

—Você o conhece, Diana? – Ele mostrou a foto.

—Não, nunca vi. Por quê?

—É um terrorista procurado.

—Quer ajuda para encontra-lo? Já falou com a Irene?

—Diana, esse homem dormiu no quarto da sua irmã essa noite. Eu o vi saindo pela manhã.

—O que a Irene disse a respeito?

—Ela me fez prometer não esquecer que ele é seu amigo... Independente do que acontecer.

—Oh Deus! No que ela está metida agora?

—Eu lhe pergunto isso.

—John, eu sei que está preocupado, mas com os anos aprendi que se a Irene precisar de ajuda, ela entra em contato. Até lá, é melhor não se meter.

—Diana, você não está entendendo. Ele é um terrorista. É perigoso e o vi saindo seminu do quarto dela após tê-la drogado.

—Oh agora entendi. John, mais uma vez, não se meta. – O celular dela toca. – Mensagem da minha irmã. Como disse agora a pouco: quando Irene precisa de ajuda, ela entra em contato. Com licença.

Diana foi se encontrar com a irmã no laboratório. Ela parecia nervosa, mas fria, bem mais que o comum.

—Por onde andou?

—Eu estava tomando um café com...

—Isso não tem importância. Verifique isso pra mim.

—Bem, você quem perguntou. E isso seria?

—Vômito de um cachorro.

—Se não for, eu vou descobrir. Você sabe disso. – Diana sorriu para a irmã.

—Apenas faça seu trabalho.

—Você está bem?

—A parte do vômito é verdade, diga exatamente o que ele comeu.

—Ele quem? No que está se metendo? – Irene estava andando pelo laboratório. -Soube do cara saindo pelado do seu quarto.

—Pelado?! John é um exagerado.

—Acho que ele está com ciúmes. Ele ainda gosta de ti.

—Ele tem de parar com isso.

—Não é tão simples assim, Irene.

—Meu único relacionamento é com o meu trabalho. – Ela parou de repente, parecia muito irritada para pouca coisa. -Mande o resultado para o meu celular.

—Você não respondeu: no que está se metendo?

—Eu estou tentando ajudar um amigo.

—Um terrorista é seu amigo?

—Ele não... Eu te conto tudo quando puder.

Irene deixou o lugar sem olhar para trás, John continuava encucado com isso tudo. A Scotland Yard estava ajudando o MI6 no caso da busca pelo terrorista. Por mais que fosse alguém da lei, John não poderia entregar a Irene, teria de tentar encontrar um meio de pegar o bandido sem comprometê-la. Para isso ele pediu ajuda da Diana.

Ela contou sobre o resultado da análise do vômito, sobre como a Irene anda sumida e ainda mais irritável. Os dois se uniram para encontra-la, pois concordaram que ao conseguirem isso, iriam também achar o tal terrorista. E estavam completamente certos.

Levou um tempo, mas Diana conhece bem a irmã, além de saber de boa parte dos esconderijos dela pela cidade. Obviamente, Irene prevendo isso se manteve nos desconhecidos pela irmã e pelo inspetor. A caçula da família Holmes foi interrogar a pessoa ideal: Mycroft Holmes. Ele deu o endereço de um armazém abandonado no fim de uma estrada no sul de Londres.

Na mesma tarde, Irene estava sentada em uma mesa enferrujada comendo burritos, tomando uísque e conversando sobre dias desconhecidos por quase todos que a cercavam atualmente.

—Você se lembra de quando pegamos aquele navio para Male? – Falou Drake.

—Navio é algo bondoso de se dizer. O barco estava caindo aos pedaços, tivemos sorte de chegarmos vivos lá. – Irene comentou sorrindo.

—Foi tudo que conseguimos pagar. Éramos fugitivos.

—As coisas não mudaram nada pelo visto.

Os dois se puseram de pé imediatamente, cada um segurando uma arma.

—John? O que faz aqui? – Perguntou Irene.

—Estou em busca de um terrorista, o mesmo que por acaso apareceu pelado na sala da nossa casa. – John também estava com a arma na mão e Diana logo atrás.

—Drake, abaixa a arma.

—Irene...

—Ele é meu amigo e ela é minha irmã. Abaixa a arma.

—Está bem.

—John, lembra-se da promessa que me fez?

—E lembra-se da que me fez?

Irene ficou séria, o pegou pelo braço e foram para fora do armazém.

—Foram dois copos, apenas para brindar com um velho amigo.

—Velho amigo? Ele é um terrorista, Irene. O meu departamento está ajudando o MI6 a encontra-lo, em quanto tempo acha que vão chegar até você?

—Em breve, se é que já não chegaram.

—Olha isso. – Ele mostra uma foto.

—Droga! Eu tenho de tirar o Drake daqui.

—Não antes de me explicar tudo.

—O nome dele é Drake Al Borkan. Nós nos conhecemos muitos anos atrás, ele não é terrorista, está muito longe disso. Eu não vou te pedir para se envolver nisso, pois poderia acabar morto ou no mínimo perder o emprego. Apenas peço que se afaste.

—Não posso te deixar sozinha com esse criminoso.

—Eu conheço muito bem o Drake. Ele nunca faria algo contra mim.

—Ele te drogou ontem.

—Ele nunca faria nada que eu não faria. E de qualquer forma, eu não preciso da sua proteção.

Ela se virou para sair.

—Claro que não! Você tem o seu namorado.

—Não somos namorados. – Ela volta a fitar o inspetor.

—Não é o que essa foto mostra, já que estavam se beijando e nem sabiam que o MI6 estava observando.

—Primeiro: sim, nós sabíamos, mas o MI6 é o menor dos nossos problemas e a Scotland Yard nem sequer é um problema. Tem gente muito maior e perigosa atrás do Drake. Foi para eles que fizemos essa ceninha. – Ela se aproxima do inspetor. – Segundo: Nós, você e eu, não somos um casal, então pare de agir como se fôssemos um.

—Você tem razão. Nós não somos um casal... Sorte minha. – John pensou ter visto um traço de tristeza no olhar da Irene, porém devia ser só impressão. – Eu não vou te entregar, na verdade vou fazer exatamente o que disse: vou me afastar.

Quando John deu as costas e começou a andar na direção contrária, Irene ainda deu um pequeno passo em sua direção, por um segundo o nome dele pareceu pular para sua garganta, mas ela engoliu esse impulso. Ao retornar para dentro da tal fábrica, percebeu que a Diana e o Drake ouviram tudo.

—Aquele cara te ama.

—Sim, eu sei.

—Irene Holmes, sempre fascinando os homens. A pergunta é: algum deles já conseguiu te fascinar de volta?

—Deixa de idiotice, Drake. Precisamos te tirar do país.

—Eu posso ajudar em alguma coisa? – Perguntou Diana.

—Não agora, irmã minha. Quando precisar você irá saber. É melhor você ir.

—Ok. Boa sorte.

—Irene, eu não vou sair daqui sem ter no mínimo alguma notícia deles.

—Se quer mesmo recuperar sua família com vida, você vai parar de ser estúpido e fará exatamente o que eu disser. Estamos entendidos, Drake?

—Sim, senhora.

—Pega isso. – Ela entregou um papel com o endereço de um dos prédios da Cúpula dos Nobres. – Espere por mim lá, logo irei com um meio de te tirar do país, então encontrarei sua família e os levarei até lá.

—Irene. – Ele segura em suas mãos. – Não importa o que você diga, eu jamais te deixarei sozinha nisso.

—Eu não estarei sozinha, estarei com minha irmã ao meu lado. – Ele baixou a cabeça, ela pegou em seu rosto. – Hey, eu prometo que reencontrará sua família. Cuidarei disso pessoalmente.

—Você é uma boa amiga. – Ele a abraça. – Sempre foi.

—Ok, chega de perder tempo.

Enquanto ele foi para o novo esconderijo temporário, Irene foi falar com Mycroft, mas deu de cara com a Alex.

—O que faz aqui?

—Eu estou trabalhando.

—Onde está meu tio?

—Não está aqui.

—Eu posso vê isso, Alex. Não estou brincando. Onde ele está?

—Não sei.

—Mentira.

—Ele sai todo dia nesse horário e fica algumas horas fora. Se você precisa de algo, pode tratar comigo.

—Não, vou esperar por ele.

A espera não foi longa.

—Irene, a que devo a honra?

—Precisamos conversar. – Ela olha pra Alex. – Em particular.

—Eu estou treinando a sua prima. Tudo que precisar pode dizer na frente dela.

—Não, eu não posso. - Irene tocou no anel estilo aliança que usava. – Precisamos conversar.

Aquele anel era símbolo da Cúpula dos Nobres, o estilo e cor simbolizavam cada cargo. O mais divertido era que quanto mais simples, mais alto o posto. Mycroft e Irene tinham um anel igual por dividirem a posição de Mestre. Ele logo entendeu o recado e pediu para Alex os deixar a sós.

—O que quer? – Perguntou ele ao sentar.

—Preciso de um avião com tripulantes confiáveis para ir ainda hoje para aquela ilha fora do mapa.

—O que está aprontando?

—Apenas preciso disso, Mycroft. Não preciso de perguntas.

—Soube que aquele seu amigo está na cidade. Você não deve nada a ele, Irene.

—Não? Ele salvou minha vida, enquanto você ficou aqui de braços cruzados... Pior, enquanto você me mandou para uma sentença de morte.

—Você tinha...

—Eu sei o que eu tinha feito. Não estou reclamando disso. Agora, Mycroft, consiga o avião para partir em meia hora no máximo.

—E se não conseguir?

—Ainda sou a Mestre da Cúpula dos Nobres. Lembre-se disso.

Irene deixou o escritório do tio sem dizer mais nada, foi buscar o Drake e juntos foram para um pequeno aeroporto particular. O avião já os esperava, ela foi junto para ter certeza de que tudo ficaria bem, só depois voltou para Londres com o dever de cumprir sua promessa que havia feito.

 

Continua...
ALANY ROSE
Enviado por ALANY ROSE em 20/03/2017
Código do texto: T5947241
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ALANY ROSE
Teresina - Piauí - Brasil, 32 anos
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