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O túmulo dos azulejos azuis

O túmulo dos azulejos azuis

Um conto © Thunder Dellú

     Joana andava apressada e o vento forte no cemitério do centro partia ao meio seus lábios finos no frio do final de junho. Como sempre fazia depois do estágio no serviço de enfermagem na Santa Casa, a moça cortava caminho pela moradia dos mortos para chegar mais cedo em sua casa, que ficava no segundo andar de um pequeno prédio da rua de trás. Sabia quase de cabeça os nomes e as datas de nascimento e morte dos moradores do local sagrado. Sempre gostava de passear por lá, a contragosto da mãe, que a reprimia pelo hábito inusitado e mórbido. Existia um túmulo em particular que lhe chamava a atenção e lhe despertava a curiosidade. Era um jazigo familiar coberto de belos azulejos portugueses desenhados com rosas azuis, uma enorme cruz negra de mármore e, estranhamente, sem nenhum nome e nenhuma data para identificação de quem descansava lá. Acima dele, Joana reparou que, num espaço de poucos dias, surgiram recados escritos em papel almaço que ela nunca teve coragem de abrir.
     – Mãe, você já viu aquele túmulo azul, do lado direito, perto do portão de trás do cemitério? – Disse ela ao chegar ofegante em casa.
     – Ah, lá vem você de novo com essas baboseiras de cemitério! Você já tem dezoito anos, filha, tem que colocar a cabeça no lugar! – disse a mãe sentada no sofá vermelho de napa, aguardando ansiosa o início da novela “Irmãos Coragem” que acabara de estrear na TV naqueles meados do ano de 1970 – Você já tomou seus remédios? Olha, não descuida...
     – Mãe, vou contar uma coisa pra senhora e sei que você vai colocar a culpa nos remédios! Mas vou contar assim mesmo. De uns dias pra cá, depois que eu tomo esses medicamentos horrorosos pro coração, mais ou menos neste mesmo horário ou um pouco mais tarde, eu vejo uma mulher com um vestido azul claro lindo colocando alguns recados em cima do túmulo azul! – disse Joana, jogando seis pílulas coloridas de todos os tamanhos e mais meio copo de água na boca – Qualquer dia eu vou abrir e ler! Ah, vou!
     – Ô, minha filha, eu nunca vi mulher nenhuma, não! Deixa eu te falar uma coisa. Esses remédios são fortíssimos, você sabe disso! O doutor Romão explicou direitinho que eles podem causar alucinações! Lembra aquele dia em que você falou que milhares de lagartixas estavam em cima de você? Lembra do seu desespero? – Disse a mãe, com a expressão de dó estampada no rosto coberto de pó de arroz – Faz o seguinte. Pega aquele terço que eu tenho, aquele que foi benzido pelo padre Rodolfo e reza bastante! Esse é o caminho mais fácil pra se livrar dessas loucuras todas e pra ficar curada do coração! Você sabe que o seu problema é grave...
     – Ah, mãe. Qualquer dia eu vou descer lá e ler os recados! E também vou lá falar com essa mulher! Que tanto ela deixa esses papéis lá? Olha... não sou maluca! Esses remédios são fortes, sim, mas eu não sou maluca! – Disse Joana, já se preparando para o habitual banho, por volta das cinco da tarde.
     Depois de quinze minutos de uma ducha quente e reconfortante, Joana sentou-se no sofá ao lado da vidraça para tentar ver se a tal mulher aparecia de novo. Sua mãe descera e estava conversando com a vizinha no portão ao lado e os assuntos eram o de sempre: a doença da filha, novelas, onde arrumar xaxins, traições na cidade, receita de cuzcuz, quem morreu e quem deixou de morrer.
     Ao som do comercial de inverno dos cobertores Parahyba, o imenso relógio-cuco da parede começou a derreter, respingando poças de madeira mole e vidro líquido no piso de taco. Joana passou as mãos nos olhos e, quando abriu, o lustre central girava violentamente suspenso no ar sem nada que o segurasse. O tapete vermelho que cobria todo o chão da sala fazia ondas de mais de um metro de altura. A passadeira de plástico se debatia como se atacada por uma epilepsia.
     – Oh, meu Deus, de novo, não! – Disse ela, colocando a cabeça entre os joelhos e agarrando o terço da mãe.
     Segundos que pareceram horas se passaram e ela novamente olhou ao redor, com medo. Os três paturis verdes de cerâmica da mesa de centro agora batiam as asas e faziam um barulho de enlouquecer mesmo quem já era louco. Sim, aqueles inofensivos paturis de cerâmica que ela ganhara quando pescou um peixe de cartolina rosa na quermesse dos Vicentinos, agora a encaravam e pareciam brincar com sua falta de lucidez. Joana correu, pegou uma mão de um pilão que enfeitava um canto da sala e arremessou nos paturis, fazendo com que os vidros da mesa de centro se estilhaçassem num estrondo. Cabeças de paturis moídas se misturavam aos cacos de vidro e ao sangue que jorrava da canela de Joana. Uma ponta afiada de vidro lhe penetrara profundamente a perna, próximo ao tornozelo, fazendo-a gritar e chorar alto.
     – Filha, pelo amor de Deus! – Disse a mãe, puxando o ar pra dentro dos pulmões por ter subido as escadas correndo – Pelo amor de Deus! Vou falar pro dr. Romão cortar esses remédios! Meu Deus! Vem aqui, vou passar merthiolate e mercurio-cromo e fazer um curativo na sua perna! Depois eu limpo a sala e a gente reza um terço! Meu Deus, que horror! Que Nossa Senhora nos proteja!
     – Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, amém! – Disse dona Rosa, terminando o último mistério do terço com a filha que só acompanhou balbuciando as orações, ainda desorientada pelo ocorrido – Filha, tá mais calma agora? Amanhã bem cedo eu vou lá no Antoninho da Rocha Marmo acompanhar um doente, tenho que dormir cedo... é aquele serviço voluntário, sabe? Depois que o seu pai morreu e você cresceu, eu me realizo com isso! É a minha válvula de escape!
     – Sim, mãe... pode ir deitar que eu tô bem! – Disse Joana quase sem abrir os lábios agora lambuzados de manteiga de cacau – Vou ver um pouco de televisão e já vou dormir...
     Assim que a mãe deu as costas, Joana se levantou e abriu devagarinho a persiana e o vitrô que dava para o portão de ferro do cemitério. Um vento gelado cheirando a fritura de bolinho caipira entrou e a garota se perdeu nos pensamentos. Morte, paturis, vida, mão de pilão, família, sexo, religião, remédios, tudo lhe passava pela cabeça quando, de repente, observou, já do lado de dentro e rente aos túmulos, no escuro, o vulto da estranha mulher de azul. Pensou em chamar a mãe, mas, claro, tudo seria culpa dos remédios para o coração. Desistiu. A mulher de azul parecia não sentir frio, pois seu vestido era de mangas curtíssimas e parecia ser feito de um tecido fino como véu de caixão. Joana abriu um pouco mais o vitrô pra tentar ver melhor e ela desapareceu entre os corredores de túmulos. Restou apenas a sombra do vestido esvoaçante rebatendo nos azulejos portugueses e na cruz preta de mármore. Joana estava assustada, quase não conseguiu dormir, mas tinha planos diferentes para o dia seguinte.
     O dia no estágio se arrastou e todos os enfermeiros da Santa Casa estranharam o comportamento frio da sempre bem-humorada Joana. Por volta das quinze pras cinco, ela se despediu de todos, inclusive dos doentes, passando de quarto em quarto.
     – Ah, deve ser alguma menina que perdeu o namorado ou algo assim! Aí, fica escrevendo essas cartinhas pra tentar amenizar a dor! Esses jovens e essas motocicletas hoje em dia... morre um por dia... tudo emaconhado! Tudo filho do Satanás! – Disse dona Sílvia, uma paciente idosa em estado terminal que Joana amava de coração por causa da maneira direta com que dizia as coisas – Tenha fé e vá lá conversar com ela, tadinha! Talvez ela esteja precisando de alguém pra desabafar! – Completou dona Sílvia, ao som dos apitos das UTI's e já caindo no sono por causa dos fortes sedativos.
     – Alô, mãe? – Disse Joana, ligando do telefone da Santa Casa – Mãe, hoje eu vou dormir na casa da Suzana, aquela minha amiga aqui da Santa Casa, tá bom? – Pausa de alguns segundos – Não, mãe, é que a gente vai passar lá na quermesse dos Vicentinos! – Outra pausa um pouco mais longa – Tá bom, mãe, pode deixar! Rezo! Obrigado! Também te amo!
     Os anjos e santos do cemitério pareciam ter uma expressão mais melancólica e triste naquele final de tarde gelado. Fazia ainda mais frio do que no dia anterior. Os últimos raios de sol projetavam sombras enormes de cruzes que dariam belos cenários pra um filme de Boris Karloff. O vento do inverno tocava as folhas secas das árvores pra dentro dos vãos das grelhas de ventilação dos túmulos, onde, com certeza, além dos inquilinos tradicionais e quietos, também habitavam baratas, escorpiões e ratos invasores. Joana olhava um túmulo de cada vez, sem pressa, como se estivesse  as obras de um museu. Sempre que chegava em frente a um deles, fechava os olhos, franzia a testa e tentava adivinhar: “Joaquim de Souza Amâncio Oliveira, estrelinha em 31 de dezembro de 1915, cruzinha em 1965”. Quase sempre acertava. Só não gostava quando acertava alguns do tipo: “João de Carvalho Santos Pinto, estrelinha em 02 de janeiro de 1941 e cruzinha em 02 de janeiro de 1941”. Desses ela morria de dó. Afinal, ninguém merece nascer e morrer no mesmo dia, imaginava. Ela sentia que os túmulos deveriam ser mais bem cuidados, pois, como contou à mãe, quando morresse, não queria ver o seu nome escrito assim: “Jo na  Aparec da Costa Manso”. Sua mãe sempre ria. Enquanto se entretinha como se estivesse participando de um programa macabro de auditório, Joana, já próxima do portão dos fundos do cemitério, ouviu o som do enorme cadeado enferrujado sendo trancado pelo seu Joaquim. A noite já espalhava seu manto e a garota ficou quieta no escuro, iluminada apenas pela luz da lua crescente. Segurava firmemente nas mãos o terço benzido pelo padre Rodolfo que havia levado, “afinal, vai que?”, pensava ela. O vento, de uma hora pra outra, cessara e ela pensou em ir embora. Baratas, escorpiões e ratos passavam de um túmulo a outro e isso a assustava mais do que qualquer coisa desse mundo ou do outro. Um cheiro forte de dama-da-noite preencheu o ar e Joana estranhou, pois não havia árvores daquele tipo por ali. Ela, pisando devagar, foi se esquivando entre os túmulos, os vasos e as flores de plástico jogados no chão, até que se aproximou do estranho túmulo de azulejos azuis.
     Seis folhas de papel almaço tamanho A4 dobradas em quatro repousavam em cima do jazigo, com seis pedaços de tijolos de outros túmulos tomando conta para que o vento não as tocasse. Joana se aproximou e sentiu o cheiro de dama-da-noite se intensificar. Olhou pra todos os lados e não viu nada. Estendeu a mão direita devagar acima da lápide gelada do túmulo para agarrar o primeiro pedaço de papel.
     – Não! – disse uma voz rouca sem que Joana identificasse a origem.
     O coração acelerado e a onda de arrepio dos pés à cabeça fizeram com que Joana se virasse bruscamente no sentido do portão. Ao seu encontro, silenciosamente, vinha a mulher de azul. Apesar da total falta de vento, o vestido de véu de caixão esvoaçava e o cheiro de dama-da-noite aumentava.
     – Não tenha medo, Joana! Você não me conheceu! – Disse calmamente aquele vulto do manto azulado, sem que Joana conseguisse identificar sua face – Aliás, nem sua mãe me conheceu!
     Joana, aterrorizada, esbarrou as palmas das mãos no azulejo frio e meio molhado pelo orvalho da noite. O vulto aproximou-se e finalmente lhe pareceu familiar.
     – Você se parece com... a foto da... minha avó... – Foi tudo o que saiu dos lábios trêmulos de Joana, reconhecendo um rosto que também estampava uma antiga foto exposta na parede da sala de sua casa.
     Sua avó abandonara a mãe e mais três irmãos à sorte da vida e havia desaparecido no mundo, sem dar notícias. Nunca mais dona Rosa, mãe de Joana, ouvira falar nela. Apenas aquela foto desbotada servia como uma lembrança rancorosa e triste de uma mãe eternamente ausente.
     – Sim, Joana! – Disse o vulto, que aparentava ser de uma mulher de uns quarenta anos – Quero que você me faça um favor! Quero que você leve essas seis folhas pra sua mãe. É apenas uma carta, mas está em seis partes! Você ainda tem tempo de levar pra mim! Você ainda tem tempo...
      – Sim, levo! – Disse Joana, pálida, lembrando-se de que ainda nem havia tomado o seu remédio – Mas posso te fazer uma pergunta?
     – Sim, claro! – Respondeu a mulher, aparentemente já perdendo o intenso brilho do começo da conversa.
     – Este túmulo... que você deixa os recados. De quem é? Não tem nada escrito... – As palavras de Joana pareciam sair de dentro de um congelador, em cubos quadrados e uniformes.
     – Olhe pra ele de novo! – Disse a mulher de vestido azul.
     Joana por um momento teve medo de dar as costas à imagem gélida da mulher. Tomou coragem, se virou e observou, um pouco abaixo da cruz de mármore do túmulo, as letras em bronze polido e de um amarelo brilhante como ouro que diziam: “Carmelita Aparecida Costa Manso, estrelinha 05 de Maio de 1910, cruzinha 09 de Outubro de 1952”.
     – Nossa...mas... até ontem mesmo não havia nada escrito neste túmulo! – Disse Joana, virando-se e não encontrando mais ninguém. Naquele momento, apenas ela, as baratas, os ratos, os escorpiões, os cadáveres e o medo habitavam aquele cemitério. A garota pegou  rapidamente os seis pedaços de papel, subiu em cima de um túmulo alto de alguma família rica e conseguiu pular o muro, dirigindo-se apressadamente à sua casa.
     – Filha, não pode ser! – Disse dona Rosa, incrédula, ao terminar de ler as seis folhas de papel escritas à mão aparentemente com caneta de pena – Essa carta fala detalhes do meu pai, da minha família toda!
     – Então, mãe... e eu nem tomei os remédios hoje! E nem vou tomar! Mas... resuma a carta pra mim? O que ela diz? – Disse Joana, sem conseguir tomar nem uma colherada da sopa de fubá com couve.
     – Ah, filha, olha... – Os olhos de dona Rosa já transbordavam enquanto ela apertava o terço entre os dedos – É uma carta de desculpas... ela se desculpa de coração por ter deixado a gente sem auxílio nesses anos todos. Disse que passou o resto da vida se lamentando por não ter visitado a gente, por não ter nos amparado. Disse ainda que morria de saudades e que não conseguia visitar a gente porque sempre que cogitava isso, o marido violento a espancava... Resumindo, é isso! depois você lê com carinho... ela, pela carta, parecia ser uma pessoa boa! Fiquei feliz de ler isso, apesar de achar que foi você que escreveu... – Completou dona Rosa, reticente e ainda não acreditando naquilo tudo.
     – Não acredita em mim, mãe? Nossa, que saco! Não sou mentirosa, não! – Disse Joana, jogando a colher, fazendo a sopa quente escorrer pela borda do prato.
     – Desculpe, Joana! – Vamos dormir, vamos? E toma seu remédio, tá bom? – Seu problema de coração é sério, você sabe que não pode descuidar! – Disse dona Rosa, se levantando e dando um beijo na cabeça da filha.
     – Mãe... ela disse uma outra coisa que me deixou preocupada! Ela disse que “eu ainda tinha tempo” de trazer essa carta pra você! Como assim? “Ainda tenho tempo”? Eu tenho todo o tempo do mundo!
     – Filha, vamos descansar! Amanhã a gente vai na igreja e manda rezar uma missa pra alma dela e acaba com essa história, tá bom?
     Aquela noite foi se arrastando como uma corrente barulhenta puxada por vultos fantasmagóricos. Duas e meia da manhã do dia 01 de julho de 1970. Joana olhava para o forro de madeira do teto, olhava para a imagem de Jesus Cristo crucificado na parede, mas não conseguia dormir. Uma tontura e uma dor de cabeça insistente a incomodavam. Pensou que talvez fosse por falta dos remédios, mas ainda se recusava a tomá-los, afinal, não gostaria que aquele Jesus Cristo de bronze descesse da cruz e viesse falar com ela. Levantou-se, colocou suas roupas de frio, pegou uma pequena lanterna de duas pilhas pequenas e saiu de casa novamente em direção ao cemitério. Sob uma neblina densa e ouvindo sons de morcegos, subiu numa árvore morta do lado de fora e conseguiu saltar num túmulo alto do outro lado. A neblina era tão densa que não se via mais que dois metros à frente. Era um mundo morto, denso, desolador. O medo fazia com que a luz da lanterna tremesse em suas mãos. Joana olhava pra todos os lados pra ver se via a figura fantasmagórica da avó falecida, mas ela sumira de vez. Talvez, pra sempre, pensou ela. Ao se aproximar do lúgubre túmulo dos azulejos azuis, a luz da lanterna fez com que as letras em bronze dourado brilhassem feito neón. Só que, dessa vez, a quantidade de letras parecia ser maior do que quando esteve com o espírito da avó, horas antes. Joana se aproximou e o gelo dos azulejos azuis contaminou seu sangue e explodiu nos seus cabelos. Foi quando ela finalmente conseguiu ler, abaixo do nome da falecida avó, o seu nome: “Joana Aparecida Costa Manso, estrelinha 19 de maio de 1952, cruzinha 01 de julho de 1970”. E não tinha nenhuma letra faltando.

FIM


Autor: Thunder Dellú
E-mail: josemar.dellu@hotmail.com
Blog: http://www.thunderdellu.wordpress.com
Tel. Contato: (12) 9817-97362

São José dos Campos, 17 de Julho de 2017

Thunder Dellú
Enviado por Thunder Dellú em 17/07/2017
Reeditado em 18/07/2017
Código do texto: T6056886
Classificação de conteúdo: seguro

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São José dos Campos - São Paulo - Brasil, 46 anos
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