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Floresta maldita

         Três garotos aventureiros e destemidos marcaram de se encontrar na entrada da floresta, próximo de onde moravam. A mata era cercada de mistérios e uma lenda que corria entre a população dizia que ela era amaldiçoada e que quem entrasse ali nunca mais retornaria.
         - Vamos acabar com essa lenda de uma vez por todas. - Disse Bernardo, o garoto mais alto.
         - Seremos tratados com respeito. - Acrescentou Malvi, com um sorriso imperial.
         - Vocês têm certeza que é mesmo seguro? - Perguntou Adriano, olhando ao redor.
         - Vai arregar agora?
         - Não.
         - Acho bom mesmo. Se for para nos atrapalhar fique aqui. Filinho da mamãe.
         - Cale a boca. - Irritado.
         - Parem vocês dois. - Interveio Bernardo.
         Os três adentraram a mata. Cipos e galhos de árvore deixavam a travessia complicada. Malvi enroscou o pé em um emaranhado de galhos rasteiros e Adriano o ajudou a se soltar. Um pássaro cortou a mata, próximo a eles.
         Bernardo parou por um instante e colocou a mochila que carregava no chão, abriu o zíper e puxou uma garrafa de água. Malvi e Adriano continuaram caminhando. Guardou a garrafa e jogou a mochila  nas costas, correndo para alcançar os amigos. Malvi fez uma piada, que Bernardo não escutou, e Adriano caiu na risada.
         O vento zuniu intenso e os amigos olharam ao redor.
         - Foi só o vento. - Disse Bernardo.
         - Estão com medinho? - Caçoou Malvi.
         - Você não se cansa?
         Malvi deu um soco de leve no braço de Bernardo e tomou a frente do grupo. Adriano o olhou rapidamente e apressou os passos em sua direção. Bernardo olhou ao redor. Um sussurro disperso pelo vento ecoou, fazendo-os pararem. "Fujam".
         - Escutaram isso? - Perguntou Adriano, sentindo uma vontade imensa de sair correndo daquele lugar.
         - O barulho do vento. Ah seus babacas medrosos! - Disse Malvi, com desdém.
         - Pare de bancar o "senhor não tenho medo de nada". - Franzindo o cenho. - Está morrendo de medo como todo mundo.
         Malvi gargalhou.
         - Ele está certo, foi só a nossa imaginação. - Concordou Bernardo.
         - Ouviu? Você que é medroso demais, deveria ter ficado em casa.
         Uma neblina densa começou a se formar sobre suas cabeças e rapidamente cercou os garotos. O pavor começou a crescer entre eles. Não enxergavam nada.
         - Fiquem todos juntos. Essa neblina logo vai passar. - Disse Bernardo. Podia sentir o terror na própria voz.
         - Tem alguém atrás de mim! - Gritou Adriano. - É alguém de vocês? Malvi pare com suas gracinhas!
         O som de folhas e gravetos sendo triturados ecoou.
         - Eu disse para ficarem todos juntos.
         Bernardo sentia o coração querer saltar pela boca. Tentou olhar ao redor a procura de seus amigos, mas não via nada, não distinguia nenhuma forma. Escutou um grunhido apavorado sendo abafado e deu um salto para o lado.
         - Malvi. Adriano... Vocês estão aí?
         Não houve resposta, apenas o completo silêncio.
         A neblina foi se dispersando aos poucos e Bernardo agradeceu por poder enxergar novamente. Seus amigos não estavam mais ao seu lado! Girou sobre os tornozelos, estava completamente sozinho.
         A alça da mochila escorregou de um dos ombros e ele a deixou cair no chão. Encontrou o corpo de Adriano poucos metros de onde estava. Se aproximou e o vômito subiu pela sua garganta. Seus olhos estavam abertos, apavorados, e sangue empoçou ao redor de seu pescoço.
         Lágrimas começaram a escorrer.
         - Malvi! - Gritou com as mãos em torno da boca e a voz embargada pelas lágrimas.
         Ninguém respondeu.
         Um pássaro escuro voou sobre sua cabeça e ele se abaixou. Olhou o animal desaparecer em meio às árvores e voltou o olhar para frente. Viu o que parecia ser um pé atrás de uma árvore. Sentiu sua respiração falhar por um instante. Seria Malvi?
         Disparou até a árvore. Era seu amigo. Malvi estava debruçado sobre o chão com a garganta degolada. Desabou sobre os joelhos e as lágrimas escorreram intensamente.
         Precisava sair dali, precisava buscar ajuda ou ele seria a próxima vítima. Se levantou com um salto, mas antes que pudesse correr, sentiu dois dedos tocarem seu ombro. Um frio percorreu toda a sua espinha. Se virou lentamente e viu um homem robusto usando uma máscara negra deformada. Ele segurava uma foice em uma das mãos. Seus olhos se arregalaram.
         - Que sua alma encontre o paraíso. - Sua voz era seca.
         Desferiu um golpe limpo em seu pescoço e a cabeça do garoto rolou pelo chão. O homem se ajoelhou em frente ao pescoço decepado, que ainda jorrava sangue, e mergulhou os dedos em sua carne. Saboreou o sangue de sua vítima, soltando um gemido e desapareceu pela mata.
Alice Moraes
Enviado por Alice Moraes em 20/03/2017
Reeditado em 26/05/2017
Código do texto: T5947070
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Alice Moraes
Cornélio Procópio - Paraná - Brasil, 20 anos
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