FEIJOLÂNDIA

Era uma vez um lugar chamado Lândia. Uma porção de terra que ostentava como riqueza a sua pequena população de 3 mil habitantes. Os moradores viviam basicamente da agricultura. O cultivo de hortaliças e legumes configurava-se o carro chefe de sua produção. As terras férteis garantiam colheitas fartas todos os anos. Nos períodos de seca os pastos recebiam tratamento especial para manter a sua fertilidade surpreendente. O que se plantava e o que se colhia abastecia a sua pequena população e seu excedente exportava-se para os lugarejos vizinhos. Os produtos como arroz, milho, tomate e feijão eram negociados a preços irrisórios. A comercialização acontecia no pátio da fazenda Velha que há muito tempo estava abandonada. Cada morador prosperava de acordo com a sua produção. A maioria dos agricultores não ambicionava grandes fortunas. O mais importante para eles era o escoamento de seus produtos. O povoado mantinha as suas características originais de 100 anos de existência. No entanto um belo dia chegou naquele lugar um comerciante oriundo de uma cidade co irmã de Lândia. Este cidadão chamava-se Feijó e tinha recebido uma pequena fortuna de seu pai. Após várias tentativas, Feijó conseguiu finalmente comprar alguns hectares de terra. O pequeno agricultor colocou a mão na "massa" e estabeleceu várias metas para alcançar a produção de seu vizinho Caridoso. O que Feijó não entendia era a falta de ganância daquele vizinho. As terras produziam grandes quantidades de feijão, mas o seu vizinho não fazia grandes investimentos. No intervalo de seis meses o Feijó dobrou a sua produção. Em cinco anos o agricultor "forasteiro" já despontava como principal fornecedor de grãos de Lândia. Aos poucos ele já possuia um quarto da área agricultável do lugar. Os pequenos comerciantes não competiam de igual para igual com ele. Feijó não se contentava com a sua fortuna e pretendia aumentar cada vez mais. Por isso ele tomou uma decisão: Aumentar o preço do feijão. Outros aumentos seguiram na mesma linha. Os produtos como arroz, e milho. Esses aumentos ocorreram em um período de baixa produção de seus concorrentes. Aquele foi um período de um grande procura pelo feijão. A população não dispensava esse item em sua mesa. Feijó aproveitou a alta procura e quadruplicou o preço do feijão. O quilo, nessa época, igualou a preço de um trator. Este agricultor ganhou tanto dinheiro, que aos olhos do gestor da cidade transformou-se em uma figura importante. Então um dos prefeitos tomou a decisão de alterar o nome da cidade para homenagear o seu ilustre produtor. Então batizou a cidade de Feijolândia. O Feijó ficou muito orgulhoso da honraria. Mas anos depois houve uma seca tão grande que dizimou o carro chefe da produção de Feijolândia. O único resquício de feijão ficou apenas no nome da cidade. E o tal Feijó? Ele ficou tão decepcionado que pediu para o prefeito alterar o nome da cidade para Feijones Carestia.

Levi Oliveira
Enviado por Levi Oliveira em 18/02/2017
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