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Ruptura no cotidiano
 

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Depois desses pensamentos que servem como desculpas para quem não terminou o colégio, e agora não tem um bom emprego, continuei procurando o que não perdi, andando por qualquer rua do centro da cidade. Coisas muitas vezes ridículas e que nem sempre são levadas a sério, mas, que deveria ser, pois, é o que mais se faz quando se está só sem um objetivo no centro da cidade, pensar nas nuanças da vida.

Enfim, depois de andar, resolvi por estar já cansado, sentar-me num degrau da escada do municipal. Outra construção muito interessante, mas que não me deixou com dor da testa. Eu estava bem acordado naquele momento e com os pés no chão. Será que no Municipal haveria subsolo, quarto de dormir, cozinha, sala, gente sepultada, passagens secretas ou um velho morador de uns duzentos anos, guardião de algum valor inestimável? Quantos anos tem o teatro Municipal? Quantos pedreiros o construíram? Acho que vale uns dez milhões, não faço ideia.

Mas com toda a certeza há no teatro Municipal um palco de possibilidades e infinitos quereres. Um querer para quem canta, para quem dança, para que atua, para quem é aplaudido ou para quem e vaiado... vaiado não, com certeza, não tão expressivo talvez. Já vi o público paulista se fazer de artista para simplesmente não ser mal-educado com quem não merecesse. O fato é que este belo teatro que sempre esteve fora do meu alcance como se fosse o pico do Evereste, deixou por minha vontade de ser como que impenetrável ou impossível de ser conquistado como uma montanha perigosa.- Querem saber?

Resolvi dar a mim mesmo o direito e a possibilidade de utilizar o teatro Municipal para ver que tipo de paulistano eu sou, entre os milhões que aqui vivem. Basta dá uma olhada ao movimento de tanta gente juntas ao mesmo tempo, para quem sabe ter um certo interesse em querer saber como deve ser o “universo”, a vida diária e secreta de cada pessoa desta cidade. Eu tive tal curiosidade. Mas... com o cuidado de não querer se envolver na vida real dos outros. Decidi ser cobaia de mim mesmo. Entrando no teatro, acreditei que poderia assim como um diretor de teatro, poder reconstruir-me e me ver um outro ser, pois essa é a melhor maneira de se saber como si é as coisas, sem ter que perguntar a outros ou simplesmente olhar num espelho. Isso eu decidi por iniciar, meditando desde a primeira vez que sai de casa sozinho, para ir ao centro da cidade até o dia de hoje.

Sem mencionar a minha idade, apenas para que de nenhuma forma se possa parar ou adiantar o tempo, também por não ver nenhuma importância para esse meu digamos... querer um tanto estranho que já me vem de um bom tempo atrás. Está me parece ser uma boa oportunidade; eu entrando no teatro minha mente questionando...  Abram-se as cortinas!
               
***
Esse meu querer na verdade se iniciou quando; depois de ser muito feliz como roqueiro devido a irresponsabilidade como homem adulto e maduro, comecei a ouvir muito o baiano Caetano Veloso. Gostava quando ele dizia em suas entrevistas: - O Brasil vai dar certo! – E quando lhe perguntavam por que ele acreditava nisso? Porque eu o quero ele dizia. Como querer não custa nem um passe duplo de metrô, eu passei a ter um querer também. “ Sem comparações é claro”. Seres humanos são sempre assim como aquele baiano e esse paulistano ou qualquer um outro, sempre querendo alguma coisa mesmo que pareça ser impossível, mas nesse caso também podendo, e eu posso. – Por que posso? – Porque eu também quero uai.
 
***
 Uma construção precisa ser bem estruturada e eu quero caprichar na minha, e precisa evidentemente também ser honesta, tanto para quem constrói. Se o meu “querer” de ver a mim mesmo fora do meu eu passar a usar o que eu sei, ou finjo saber sobre homens como Sócrates, Platão e Nietzsche, por exemplo, “com o perdão pela ousadia e falta de respeito, respeito que a eles cabem, mas as suas famas os levam a todos independentes de classe o que eu posso fazer” meu querer usara o que eu sei sobre homens de trabalhos comuns que não tem a mínima ideia de quem sejam estes personagens da história sem graça da humanidade.

Destes sim eu sei um pouco, padeiro, açougueiro. Pintor de paredes, um Euclides da Cunha as vezes aqui um Jorge Amado as vezes açula. Outros casos como o meu, um mero vendedor de sacos de lixo. Que os filósofos e os que gostam de filosofia não fiquem bravos comigo, não desvalorizo a filosofia, alguém com certeza tira algum tipo de proveito dela. Mas no meu caso fica um pouco, não li e não ouvi, mas não gostei. É como o Yamandu Costa tocando violão, parece que está sempre começado a tocar, e quando eu acho que vai enfim começar, já acabou. Assim é para mim a filosofia, ela quer explicar, mas não te deixa entender para que não perca o seu querer ver milhões em valor nos quadros de Picasso antes de pergunta o porquê, ou seja, impossível.

Assim, irei coma minha honestidade por necessidade e com a minha falta de cultura por falta de cultura mesmo, construí um ser humano fora de mim... e que tem apenas o meu querer de que ele exista dentro de um teatro. Irie começar pelos pés, e quando chegar na cabeça provavelmente ele iria dizer. – Enfim... penso, logo existo. – Mas também diria. – Já que eu existo, eu preciso pensar e analisar as coisas que sinto... se elas afetam os meus cinco sentidos, e, simplesmente pensando e analisando verei aonde vou e onde posso chegar.

O nome da minha criação poderá ser tanto o meu, Adriano Reis, muito prazer, como também poderá ser o seu (leitor), se você se ver na construção de alguma maneira e claro. Eu junto do resultado da minha construção pretendo que sejamos dois com um pensamento único. Eu só quero me ver fora de mim, e o teatro me permite isto.
 
***
 
Gostava muito de assistir uma novela que se chamava Éramos Seis, e a maneira paulistana que se tinha de viver ali. Mas na minha criação ou identificação de um paulistano autentico e nato. A dona Lola seria para mim como, “ a minha mãe”, e eu mais um filho para ela. Ela seria muita minha amiga, cantado uma música linda que ela havia aprendido com a sua mãe ou avó. Isso seria num enorme casara na Av. Paulista.

Num fim de tarde, onde ela afagava meus cabelos em uma cadeira de balanço, sem ter nenhum barulho para nos incomodar ou motivo para ter pressa. Domingo a tarde com o sol se pondo e sem nenhuma preocupação com o dia seguinte. Eu adormecia com esperança de ser ou ter algo que eu não sabia o que era e nem que forma teria. Aquele momento seria bom, inteiramente bom. Lembrança boa, mas um querer sem de fato poder ter, mas a reprise da novela e legal.

Continua...


 
Para ler o próximo capitulo, clik no titulo a frente:o Canindé - o índio que negou o tempero - capítulo 8 ( série romance)


 
Felipe F Falcão e João Silva
Enviado por Felipe F Falcão em 12/01/2017
Reeditado em 02/02/2017
Código do texto: T5879467
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Felipe F Falcão
São Paulo - São Paulo - Brasil
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Felipe F Falcão

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