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A Quadratura do Círculo-cap. 27

O capítulo anterior foi um pouco pesado; pelo menos senti assim; fico com pena do leitor que buscava um consolo para suas aflições; ninguém além de ti encontrará as soluções; somente a ti cabe julgar-te, a mais ninguém! Mas o que estou eu fazendo, senão autoajuda, a qual abomino. Não tenho a pretensão de ajudar ninguém; nem a mim consigo conhecer e “ajudar”, nesse tão pobre sentimento burguês. Meu Deus , lá vou eu de novo com definições e rótulos. Prometo que agora a história caminhará de forma mais leve.
Minha vida com a Rafa caminhava com tranquilidade; sem tantas exigências; nem casamento os pais exigiam; ela sonhava com véu e grinalda, embora há muito tempo já fora o tempo em que mereceria isso, mas eu não estava nem aí e , nem ela; desfrutávamos a vida da melhor maneira que podíamos, dentro de nossas limitadas posses; sim, assim fica muito mais fácil, quando não se colocam pretensões  fora da realidade em pauta:
- Meu pai tem um terreninho em Carapicuíba; podemos erguer uma casinha ali...
Sua ingenuidade e singeleza me encantavam; jamais moraria num lugar desses; sim , tinha meus caprichos; tinha morado em bairros abastados, mesmo meus pais não sendo , pagando a custo aluguéis caros; os amigos intelectuais dele viviam lá; havia pintores, escultores, até escritores.  Eu gostava de frequentar lugares caros, mesmo sem poder pagar; era uma mania minha, bem besta pra falar a verdade. Alguns de minha família chegaram a dizer:
-Ela é simples demais pra você!
Mas não estou nem aí; quem disse que esse ou aquele cidadão não é digno de conviver contigo? Aliás, sempre fiz o que quis; talvez por pirraça, sempre fiz o contrário do que o bom juízo dizia que tinha que fazer; às vezes me estrepei, mas conscientemente.
Eu alugaria uma casa maior, sem dúvida, mas seríamos “felizes”; faria algumas concessões, como ir à festinha da família e tomar tubaína; a tradução de Homero estava progredindo; já recebera um adiantamento; a vida é boa! Mas, continuava insatisfeito; sim , a vida é inquietação, senão não tem graça; “há, esses poetas e loucos, que nunca estão satisfeitos”; sim, mas o ser humano é assim mesmo; se todas as vontades estão satisfeitas, o que mais buscar?
Mas o que estou eu dizendo, quando muitos ficariam felicíssimos se tivessem algo muito difícil de se conseguir, como o que comer?  Ah, sem esses subterfúgios do senso comum que nos fazem nos conformar com o que somos e com o que temos! Sou um inconformista nato.
Ângelo Ranieri
Enviado por Ângelo Ranieri em 11/01/2017
Código do texto: T5879078
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Ângelo Ranieri
São Paulo - São Paulo - Brasil, 51 anos
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Ângelo Ranieri