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AVES EM CONFLITO

...E disse a vovó raposa, - venham aqui meus netinhos, vou lhes contar uma história. A velha limpou os óculos para se certificar que todos os miúdos a cercavam, após pigarrear para limpar a garganta e dando tempo para que os filhotes se acomodassem sentados sobre o rabo, e a velha passaram a escutar.
Era  uma vez uma linda águia que em sua juventude cortava o céu a voar, em vôos rasantes e rápidos pelos ares vivia a  caçar. Essa águia além de bela plumagem tinha lindos olhos, nada lhe escapava, de visão aguçada e ouvidos atentos a tudo observava.
É sina de todo bicho encontrar seu par, para ajudar nas tarefas e família formar. Porem tinha essa águia uma curiosa peculiaridade, apesar de ser inteligente e sagaz fazia mal escolha ao eleger o seu par.
Ainda muito jovem uma topeira começou a namorar, nisso um dos garotos interrompeu, - mas vovó topeira não voa... – sim meu netinho todos sabemos disso mas como já disse essa águia em sua falta de visão não observou esse pequeno detalhe.
E retomando  a narrativa prosseguiu a doce velhinha . Alguns anos se passaram para que a águia se apercebesse do erro cometido e após muito custo da topeira conseguiu se livrar. Outro neto novamente a velha interrompeu. – Mas vovó se ela se livrou da topeira demonstra que sabia raciocinar. – Sim meu querido você tem razão, porem vamos a outra parte, a história ainda não terminou....
Estando ela sozinha um par passou a procurar, é natural de todo bicho com outro se aninhar. Na ansiedade em ter alguém para se aconchegar, aos galanteios de um corvo passou a águia a aceitar. Não demorou muito tempo para em seu ninho o corvo se meter dividindo com os filhotes da águia o que ela trazia de comer. Muito esperto e maroto era esse corvo, a águia pouco ajudava e muito dela judiava.
Bicava sua cabeça, arrancava suas penas, de tudo dela usufruía, em tudo dela bulia, maltratava seu coração e quando brigava com ela não tinha perdão. Agora vivia a águia triste, mais idade aparentava, pois o que ela mais queria era voar e o corvo não deixava agora ela mais parecia uma ave de asa cortada. – perguntou outro pirralho – vovó porque a águia precisa voar? – Porque é voando que se cresce é natural para uma águia e ela queria crescer, mas o corvo não queria,  como ele era um corvo feio sem atrativo e fracassado não desejava o crescimento da águia para não se sentir inferiorizado.
Eis que nesse meio tempo outra ave apareceu por ela se encantou e dela se enamorou. Essa ave não era preta, pelo contrário era bem branquinha. Tratava a águia com carinho procurando sempre ela agradar. Queria que a águia crescesse e com ela queria voar. Essa ave não era da terra era do mar, de outro habitat diferente da águia, mas junto dela queira ficar.
Por estranho que possa parecer a águia dispensou a ave carinhosa para com o corvo continuar a sofrer, ser bicada na cabeça ter as penas arrancadas até envelhecer.
-Vovó por que a águia tomou essa atitude?
-Meu netinho certa vez ainda no século XVII disse um sábio nascido na Bélgica chamado Blaise Pascal. “O coração tem razões, que a própria razão desconhece”
E essa ave branquinha o que foi feito dela?
-Caiu em sua razão e reconheceu que seu lugar é no mar, voltou a singrar as ondas e a viver com seu par, da águia tem apenas doce lembrança. E assim termina essa história de quem não sabe escolher e leva a vida a sofrer.
nestorfelini
Enviado por nestorfelini em 13/08/2017
Código do texto: T6082177
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
nestorfelini
Santo André - São Paulo - Brasil, 67 anos
53 textos (822 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 21/08/17 07:08)