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Baby - Parte 2 – Aproximação

Ele a visitou na noite seguinte, se esgueirou até a cidade e passando desapercebido entrou em seu quarto sorrateiramente. Ela se assustou com a presença inesperada do vampiro Petrus, mas gostou da visita. Ele estava radiante, completamente recuperado e exalava um vigor que ela nunca tinha visto em outros seres. Se cumprimentaram com uma troca de olhares e ela começou a puxar conversa dizendo que tinha algo importante para contar.
Disse que tinha um segredo para revelar e contava com a discrição dele e confiava que o que seria falado não seria revelado para outras pessoas. Ele arqueou as sobrancelhas interessado e ela falou com naturalidade que era uma bruxa e por isso acabou ajudando-o. Ele falou que sentiu através do sangue doado por ela para sua recuperação que Aradhia, rainha das Bruxas estava presente em suas veias. Sua origem foi revelada ao estranho através de seu sangue e ela ficou surpresa.
Ele explicou que o sangue revelava muito sobre as pessoas, que nada fica oculto quando um contato tão íntimo com a força vital que está no sangue é sorvida por um ser sobrenatural. Prometeu de forma séria que o segredo dela nunca seria exposto, que o guardaria consigo por toda eternidade.
Agradecida pediu que ele ficasse a vontade, mas que não fizesse muito barulho, pois sua tia Mafalda, que também era uma bruxa estava repousando no andar de baixo da casa. Ela morava na área central da cidade de Arcádia, um pequeno e agitado povoado ao norte do que hoje chamamos de Itália.

Conversaram bastante, se conheceram um pouco mais e trataram de muitos assuntos transcendentais. Ele era imortal, ela mesmo não sendo, viveria bastante e com seus poderes poderia manter sua juventude e beleza até o final dos seus dias. Falaram muito sobre a magia do mundo e sobre as forças ocultas que regiam os destinos dos mortais. Ele falou de sua transformação que havia ocorrido há setecentos e quarenta e nove anos e, orgulhoso falou o quanto aprendeu sobre a vida em sua plenitude mesmo sendo um ser renascido pelo poder das sombras. Explicou que a vida o fascinava, mas entendia muito bem a fragilidade da existência humana. Falou sobre a força que movia as coisas, mas não falava sobre deuses ou da mesma forma que os mortais entendiam ou acreditavam. Falou com propriedade sobre a existência de uma força que a tudo criava sem interferir nos destinos da humanidade.
Ela disse que seu nome era Ághata, mas não se incomodava em ser chamada de Baby, na verdade até gostava. Falou do seu batismo como bruxa e como tudo aconteceu. Explicou que era algo de família e que sua linhagem era muito antiga. Explicou que diferente dos vampiros, não precisava do sangue para se manter jovem e forte, pois conseguia absorver a força vital dos seres ao seu redor através da energia emanada por eles e que com poucas doses diárias dessa energia podia prolongar sua vida por mais alguns anos.
Ele a fascinava e ele também se sentia envolvido por ela, ambos começaram a desenvolver uma atração muito forte. Ele estava deitado na cama dela e ela colocou a cabeça em seu colo e imediatamente sentiram uma forte energia, algo que os manteriam unidos por toda vida. Ela se sentiu protegida e ele se mostrou carinhoso, pois delicadamente massageava seus cabelos deixando seus dedos deslizar pelo couro cabeludo dela. Ela estava tão relaxada que dormiu e ao dormir, teve sonhos intensos onde paixão, amor e luxúria se misturavam de forma frenética e intensa. O sonho parecia real, Petrus e ela estavam fazendo sexo, ele a penetrava com uma intensidade e desejo que jamais tinha visto. Seus olhos penetrantes invadiam sua alma e ela delirava e se convulsionava de prazer.

Acordou sobressaltada, estava sozinha no quarto, a janela entre aberta deixava entrar uma brisa fria que fazia sua pele arrepiar. Levantou da cama e a fechou. Olhou para o vale escuro e escutou um uivo conhecido, não era um animal, mas sim um homem lobo, mais um dos seres sobrenaturais que habitam o local. Ela conseguia distinguir bem e perceber as nuances do mundo oculto que existia a sua volta. Fechou os olhos e torceu para que Petrus estivesse bem e como em telepatia, ela escutou a voz dele a chamando de Baby. Ela realmente estava envolvida, seu coração parecia aquecido, sentia um calor que há muito tempo não sentia. Sabia que seria impossível ter uma relação natural com um vampiro, mas também sabia que ele sentia o mesmo por ela.
Voltou para a cama, ajoelhou sobre ela, fez algumas rezas e rituais e pediu que a natureza cuidasse de Petrus, que o protegesse dos outros seres, dos homens lobos principalmente, pois vampiros e lobisomens vivem em constante guerra e não é nada incomum que um tente exterminar o outro.
Sentiu sono, mas ao mesmo tempo sentia-se revigorada, tudo ao redor parecia tranquilo e rapidamente ela se viu flutuando fora de seu corpo. Uma força grandiosa a chamava, em espírito as bruxas se reuniam todas as madrugadas para cultuarem a natureza enquanto seus corpos descansavam.  Ela partiu em direção a suas irmãs e com elas se reuniu em um ritual de troca de energias, adoração e assimilação de novos conhecimentos.
Petrus de alguma forma estava com ela, sua presença era quase real, pois o que ele sentia por ela, por ser tão intenso, a fazia sentir que ele estava ao seu lado e sempre estaria...
Paulo Nieri
Enviado por Paulo Nieri em 13/09/2017
Código do texto: T6113349
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Sobre o autor
Paulo Nieri
São Paulo - São Paulo - Brasil
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