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CAMINHOS DO CORAÇÃO.



    Eu nunca fui muito ligado às coisas relacionadas ao coração e nem aos sentimentalismos, isso não eram coisas das quais me preocupava. Eu cresci em uma pequena cidade do interior mineiro, perdoe-me, mas não me sinto à vontade para lhes revelar o nome daquele indigno lugar onde eu vivia. O que importa agora é o que eu estou sentindo neste momento, e a todos quantos me perguntam; respondo-lhes, " Eu estou muito bem assim. Vivo em uma cidade grande, vivo no coração de São Paulo, um lugar cheio de vida, cheio de pessoas bonitas e inteligentes; cidade grande é tudo de bom, tem tudo o que precisamos, basta apenas um breve caminhar  ou fazer uma simples ligação e pronto, o que você desejar vai estar em suas mãos, ou melhor, no seu endereço.
    Meu nome é Alex, eu sou um artista plástico, meus pais não gostam da minha profissão, ambos são advogados e fizeram de tudo para que eu seguisse a carreira deles, mas isso não era o que eu almejava para mim, nunca foi, temos que viver os nossos sonhos e não realizar os sonhos alheios, é isso que eu fiz, corri atrás do meu sonho para poder realizá-lo. No começo não foi nada fácil, eu tive que enfrentar os estudos e trabalhar para pagá-los, meus pais se recusaram a me ajudar, mas tudo bem, aquilo que conquistamos com o próprio esforço e sacrifício tem um sabor muito melhor, não tenho raiva dos meus pais pela atitude deles, sei que eles queriam o melhor para mim, só que o melhor para mim na visão deles, era justamente aquilo que me fazia infeliz. Direito fazem eles felizes e realizados, não á mim, a arte completa a minha vida, a arte me faz feliz.Trabalho com arte já há dez anos, e nestes dez anos eu venho expondo nas telas, o cotidiano de pessoas comuns, trabalhadores no seu dia a dia, geralmente levo meu cavalete para as praças de São Paulo, posiciono meu material e começo a trabalhar, tenho uma ótima memória fotográfica e isso facilita muito meu trabalho artístico, de forma que, eu não necessito que as pessoas parem o que estão fazendo para que eu as pintei. Expus as minhas telas em diversos lugares do Brasil e do mundo, em diversos salões de artes por toda a cidade. Hoje sou um artista reconhecido, tenho muitos convites, e muitos trabalhos agendados, sou feliz pelo o que eu faço, na minha pequena trajetória artística me deparei com muitas histórias impressionantes, e algumas delas viraram temas de  minhas obras, mas nenhuma delas emocionou mais do que a historia que vou lhes contar agora.
    Como eu havia dito anteriormente, sempre pintei o cotidiano das pessoas, na verdade são flagrantes da vida real, coisas que ninguém dá a devida importância, mas que para mim tem o seu valor artístico, tudo começou no penúltimo dia de novembro, como de costume peguei meus apetrechos de pintura e me dirigi para uma das praças do centro de São Paulo. Já na praça, eu comecei o meu trabalho e não havia percebido quando se aproximou de mim uma linda moça, ela tocou em meus ombros, eu estava distraído, quando me virei para ver quem era, fiquei muito admirado com a beleza daquela jovem. Ela, muito bem vestida, parecia que estava indo para uma festa, os seus cabelos eram longos, na altura da cintura, os olhos grandes e de um tom azul claro magnífico, os lábios tão bem desenhados, uma face clara com tons avermelhados e com furinhos nas bochechas, enfim, era a moça mais linda que eu já vi na vida, fiquei encantado com a beleza daquela moça. Ela me fez um pedido, que eu a pintasse, embora
eu nunca antes tivesse pintado usando um modelo antes, achei que seria interessante a ideia, posicionei o cavalete, posicionei a moça junto a um jardim de lírios que tinha ali, e comecei a trabalhar,  enquanto eu a pintava comecei a dialogar com a moça:
    - Qual é o seu nome moça, eu nunca a vi por aqui, e olha que eu venho com certa frequência a está praça.
   - Meu nome é Alice - Respondeu ela com uma voz tão mansa, tão suave - é a primeira vez que eu venho aqui moço, na verdade sou de outra cidade.
    - Legal... Também sou de outra cidade, trabalho já faz uns anos em São Paulo, mas não sou daqui, desculpe perguntar, mas de qual cidade que você é?
    - Sou de São Pedro dos ferros, interior de Minas
Gerais, o senhor conhece?
    - Sério, que coincidência… Você também é do interior de Minas, não gosto muito de falar de minha cidade, mas tudo bem, pra você abro essa exceção, minha cidade é vizinha da sua, Rio casca, você deve conhecer?
    - Claro que conheço, tenho muitos tios que moram lá, eu já fui a Rio Casca muitas vezes, vai que de repente agente até tenha se visto por lá.
    - Quem sabe né, tem dez anos que estou aqui,
meus pais ainda moram lá, eles são advogados, Dr. João e Dr.(a)Estela, vai ver você os conhece.
    - Por um acaso eles não moram próximos à prefeitura em uma casa Azul escuro, com um bonito jardim na frente?
    - Sim, isso mesmo, então você os conhece, que legal, eu desconfiava, também… Quem não conhece meus pais em Rio Casca.
    - Na verdade meus pais os conheceu ano passado, precisávamos de uma ajuda em uma causa contra o estado, eles se prontificaram na hora, graças a eles é que foi possível virmos aqui para São Paulo, questões médicas que prefiro não comentar.
    - Tudo bem, eu respeito, Está pronto o seu
quadro Alice, quer ver?
    - Ah sim, que rápido... Nossa… Como ficou lindo,
ficou perfeito, parabéns você é muito talentoso, estou lisonjeada, quanto ficou o seu trabalho?
    - De você não vou cobrar nada.
    - Pare com isso, vai, quanto ficou?
    - Sério mesmo Alice, não custou nada, só lhe peço uma coisa, deixe-me leva-lo para casa, vou colocá-lo em uma bonita moldura daí levo para você, ok assim.
   - Tudo bem então, esse é meu endereço, tá anotado aí nesse bilhete, obrigada, até mais ver.
    Peguei o endereço e fiquei observando aquela linda moça ir embora, seus passos eram suaves, lentos, ela parecia flutuar. Recolhi o meu material e fui para casa, eu morava perto dali, em um pequeno apartamento, ao ler o endereço percebi que a casa dela também não era longe da minha. Já que eu estava com tempo aproveitaria para emoldurar o quadro e na manhã seguinte o levaria para ela. Assim eu fiz, logo ao chegar em casa escolhi a melhor e mais bonita moldura e comecei a finalizar a tela da bela Alice, aqueles olhos azuis não me saiam da mente.

                                         ****

    No outro dia, depois que tomei meu café peguei a tela e a coloquei em meu carro e fui até o tal endereço, não sei por quê, mas eu estava aflito para vê-la, meu coração me dizia que aquilo era típico sintomas de amor, mas quem disse que ouvimos o coração logo de primeira. Vinte minutos depois cheguei à casa dela, era em um apartamento, subi pelo elevador até no terceiro andar, o número era quinze, bati na porta, um senhor veio atender.
    - Bom dia senhor, meu nome é Alex, eu sou artista plástico, e no dia de ontem a senhorita Alice, imagino que seja sua filha, pediu-me para pintar o retrato dela, eu vim trazer a tela, conforme a prometi, ela se encontra?
   - Bom dia Alex, então você é o tal pintor, ela me falou sim, eu sou o pai dela, Arthur, prazer em conhecê-lo Alex, entre, por favor.
    O apartamento era simples, porém, muito bem arrumado, havia muitas fotos por toda a casa, acabei descobrindo que Alice era fotografa, seu pai me contou toda a história da filha, ela sofria de uma doença rara no coração, eles haviam descoberto a doença há dois anos, por isso vieram para São Paulo, graças à ajuda de meus pais, fiquei emocionado quando soube que a tela que pintei seria rifada para ajudar no tratamento da Alice. Naquela madrugada Alice teve uma forte crise e teve que ser internada às pressas, sua mãe estava com ela no hospital, eu não poderia ficar de braços cruzados diante daquela situação, resolvi ajudar a bela Alice, ela não rifaria aquela tela, pelo contrário, o seu pai a colocou em seu quarto, combinei com o senhor Arthur que eu faria uma exposição com todas as minhas telas e todo o dinheiro das vendas seria para o tratamento dela, o velho ficou muito emocionado, no começo não queria aceitar, mas eu fui insistente, ele agradecia o tempo todo. Aos poucos eu percebia que aquela não era só uma amizade ao acaso, era algo a mais, e a minha jornada estava apenas começando, eu sabia que no fim o amor triunfaria sobre a doença.
    Nós sempre imaginamos que sabemos de tudo, somos tentados a crer que vivemos o suficiente, e, que temos todas as respostas. Foi assim na minha vida, houve um momento em que eu pensava que estava realizado pela arte, que ela, a arte, completava o meu coração, eu pensava que as minhas telas supririam as lacunas em branco da minha alma, o espaço vazio do meu coração, que tolo eu fui, verdadeiramente não conhecemos os caminhos de nosso coração.
    É interessante quando meditamos em certas coisas, humano por exemplo: Andou na lua, voou no espaço, atingiu as profundezas do oceano, mas desconhece o seu próprio coração, e raramente se arrisca caminhar por essa terra de ninguém, não sou diferente dos outros, nas minhas veias corre o mesmo sangue vermelho, e por diversas vezes evitei falar do amor, de viver um amor, meu amor era as telas e o pincel, sempre foi, ou pelo menos eu pensava que era, até o dia em que uma linda jovem fotógrafa chamada Alice, entrou em meu mundo e me pediu um retrato seu. Eu já li muitas histórias de amor, e sempre achei uma chatice, um exagero, é sempre assim, até o momento em que o amor secretamente te escolhe, te persegue, e te captura, fraco e indefeso você se rende aos caprichos desse misterioso sentimento. É um domínio por vontade é uma escravidão voluntária. Aqui estou eu, um refém desse sentimento, a poucos minutos da minha casa é a casa da mulher por quem me apaixonei, eu nunca imaginei que fosse usar essa palavra, paixão, principalmente a palavra amor, que palavra maravilhosa.
    Como eu havia prometido ao senhor Arthur, comecei a me organizar para realizar uma exposição com minhas telas, eu tinha vinte telas em minha casa e precisaria de mais dez delas para uma boa exposição com um lucro considerável, reuni as
vinte dei alguns telefonemas a amigos importantes,  em menos de duas horas eu já tinha o espaço para realizar o evento, dois amigos meus ajudariam a organizar o local, agora eu tinha menos de cinco dias para pintar dez telas, o tempo era curto, mas eu tinha convicção de que conseguiria.
    Na manhã de domingo fui à casa do senhor Arthur, combinamos de ir ao hospital para ver Alice, meu coração estava inquieto no peito, eu não via o momento de revê-la, eu já havia pintado duas telas. como o dia do sábado passou muito rápido, achei por bem descansar, pela manhã eu encontraria a minha amada Alice, mesmo ela não sabendo dos meus sentimentos, eu tinha certeza que alguma coisa ela também sentia por mim, mesmo sem ninguém dizer nada, eu sabia que o amor havia nos escolhido por algum motivo que só mesmo o amor conhece. A noite veio rápido, e com ela um céu de estrelas brilhantes como eu jamais vi antes, ou eram as estrelas que estavam mais belas, ou, era o meu olhar que estava mais sensível à beleza que elas sempre tiveram, acabei adormecendo a luz do luar e ao brilho das estrelas.

                                   ****

    Finalmente o domingo, que bonito domingo, levantei e tomei um belo banho, coloquei um perfume de fragrância bem suave, afinal, eu estava indo para o hospital, tomei um café às pressas e fui de caro até a casa de seu Arthur, que sensação
estranha é a de gostar de alguém, tudo muda, tudo se transforma, estacionei meu caro no caminho comprei alguns lírios para Alice, bati na porta, quem atendeu era a mãe da Alice, a senhora Berenice, uma senhora muito simpática e animada, que pessoa extraordinária.
    - Bom dia jovem Alex, é um prazer tê-lo aqui, estou muito feliz por tudo o que você está fazendo por nós, só mesmo Deus para recompensá-lo.
   - Bom dia Berenice, o prazer é meu, saiba que está quase tudo pronto para a exposição, em poucos dias levantarei uma importância para ajudar a Alice.
    - Ah! Meu filho tomara que dê tudo certo, estamos todos na expectativa, Alice está muito fraca e precisa ser operada com urgência, só assim para salvar a vida dela, se fossemos esperar pelo sistema público de saúde demoraria uma eternidade, agora quando pagamos, aí a coisa muda. Nós já havíamos conseguido uma parte do valor, mas falta a metade.
    - Não se preocupe Berenice, é por minha conta,
onde está o senhor Arthur?
    - Ele está acabando de se arrumar, quer entrar, fique a vontade, daqui a pouco estaremos indo.
    - Tudo bem, obrigado.
    Sentei-me no sofá, enquanto Arthur terminava de se arrumar, dona Berenice trouxe-me um álbum de fotos da Alice, como ela era fotogênica, a cada foto eu tinha mais certeza de meus sentimentos por ela, eu me sentia como um adolescente no colegial, não demorou e seu Arthur já estava pronto, fomos direto para o hospital do coração.
   Quinze minutos depois adentramos no hospital, confesso que eu não estava preparado para aquela imagem, eu nunca estive em um hospital antes, quanta dor tem ali, quanto sofrimento, quantas lágrimas, me impactou ver tanta gente sofrendo. Chegamos ao quarto onde ela estava, sua mãe entrou primeiro, depois o pai, e por último eu, com os lírios nas mãos, quando ela me viu, os seus belos olhos se encheram de lágrimas, não me contive e também chorei, seu pai havia contado a ela sobre meu esforço para ajudá-la, deixei as flores ao lado esquerdo da sua cama.
   - Olá Alice, como está se sentindo hoje? Essas
flores são para você.
    - Estou melhor agora... Nossa… São lindas, obrigada Alex.
    - Lindas assim como você, segurei forte em suas mãos pequenas e brancas como papel.
    - Vamos deixa-los um pouco a sós.
     Disseram os seus pais depois de beijá-la saíram.
    - Eu não via a hora de vê-la novamente, tem algo que eu gostaria de dizer a você Alice.
    - Eu também não via a hora de te ver - Respondeu Alice - Mas diga, por favor, eu quero ouvir essas palavras que tanto espero. Foi então que eu falei do meu amor por ela, falei com palavras simples, e lhe revelei todo o meu grande amor, que surpresa maravilhosa, ela também nutria por mim o mesmo sentimento, com a mesma intensidade, foi ali, naquele ambiente inapropriado que lhe dei o primeiro beijo, foi ali que senti o hidromel dos deuses nascer daqueles lábios divinos, foi ali, que lhe jurei amor, logo eu… Que antes disso tudo, jamais havia experimentado tal sentimento em meu peito, eu era outra pessoa, e estava disposto a fazer de tudo pelo amor e pela vida de Alice, nunca estas duas palavras tiveram tanto sentido para mim, amor e a vida, era o que movia o meu coração.
    O amor é um sentimento difícil de ser compreendido, ele é magnífico e grandioso, vivemos as nossas vidas a margem dele, muitas das vezes o observando, assim como observamos as correntezas de um rio, muitas das vezes damos
as costas para ele, e vivemos as nossas vidas distante de sua grandiosidade, da sua riqueza inalcançável. O amor é assim, nos surpreende, nos aprisiona e nos leva às águas muito mais profundas. Durante muito tempo na minha vida os pincéis e as tintas eram tudo para mim, eu achava que aquilo fosse amor, mas como eu estava enganado, o amor é muito superior, nem se compara. Os meus sogros, tomo a liberdade de chamá-los assim, viram o beijo, e tudo o que se passou lá entre-nós, eles muito se
alegraram, principalmente pela alegria que estava estampada na face de Alice. Também não era para menos, Berenice minha sogra, durante muito tempo foi a melhor amiga da filha, ela que testemunhou todas as angústias da filha, todo o sofrimento em
querer amar verdadeiramente e de só encontrar aproveitadores, infelizmente muitos adoram a beleza física e Ignoram os verdadeiros sentimentos, hoje Alice é feliz, eu a amo verdadeiramente, a amo  pelo que ela é na essência, não só pela beleza, mas pelo que ela é por dentro.
    - Meu filho… Que alegria, eu estou muito feliz por
vocês dois, não sei nem o que dizer ─ Disse a minha sogra chorando.
    - Hoje eu posso lhe dizer que amo de verdade, a sua filha é especial, me mostrou o amor.
    - É meu filho, nós vamos ter que correr contra o
tempo agora, acabei de falar com o doutor Tadeu, ele disse que no máximo no mês que vem vai ter que operá-la, se não ela corre risco de vida.
     - Hoje mesmo, aqui mesmo no hospital vou pintar o restante das telas que faltam, aqui tenho tudo o que preciso, vou retratar o dia a dia dessas pessoas, vou mostrar ao mundo a realidade desse lugar. Minhas telas estavam no carro, fui ao diretor do hospital e lhe expliquei as minhas intenções, graças a Deus que ele entendeu a situação, não perdi tempo e comecei a trabalhar, eram oito horas da manhã quando comecei a pintar, só parei sete horas da noite, eu estava exausto, com fome com sono, mas felizmente eu consegui pintar as telas que restavam, de vez enquanto eu dava uma escapadinha e ia até a Alice, roubava-lhe alguns beijos e voltava para trabalhar, assim que terminei
as telas fui ao diretor e lhe agradeci, eu havia pintado uma tela a mais, era um presente para ele. Que ideia mais maluca, mas fantástica, contando assim parece mentira, mas é a mais pura verdade. O médico adorou a tela que lhe dei. Reuni tudo e fui para casa, não perdi tempo liguei para o Paulo, a pessoa responsável por organizar a exposição.
Ele de imediato se prontificou, pela manhã viria a minha casa pegar as telas e organizar tudo para o dia seguinte, Paulo era especialista nisso, já organizou inúmeros trabalhos meus, a expectativa era grande.

                                    ****

    No outro dia eu mal havia terminado o café, o Paulo apareceu, pegou todas as telas e levou para o lugar onde seria o evento, o resto do dia passei fazendo ligações para amigos e pessoas importantes, eu queria garantir que tudo daria certo, eu sempre fiz isso, mas dessa vez era diferente, havia um motivo em especial para aquela exposição, a vida da minha amada dependia do sucesso dessa exposição, tudo estava indo muito
bem, era só aguardar a exposição.

                                   ****

     Finalmente chegou o tão esperado dia, coloquei a minha melhor roupa e fui para o local da exposição, não demorou nem dez minutos e eu já estava lá, havia muitas pessoas, todas que eu liguei compareceram, foi maravilhoso, vendi todas as telas e ainda levantei um valor acima do esperado, eu não conseguia me conter de alegria, junto comigo estava o meu sogro, não perdemos tempo, pagamos o melhor médico para Alice, marcamos a cirurgia para dois dias depois, como Alice já estava no hospital e já havia preparado todos os exames necessários para a cirurgia, era só esperar, minhas expectativas eram grandes e as surpresas que eu tinha preparado eram maiores ainda.

                                 ****

   Dois dias depois lá estávamos nós, na sala de espera, dentro da sala de cirurgia o médico e sua equipe trabalhava no coração da minha amada, enquanto o meu, se acabava em ansiedade e impaciência, cinco horas depois sai o médico da
sala cirúrgica, apreensão e medo, minhas mãos estavam trêmulas ante o olhar do doutor.
    - Diga logo doutor, pelo amor de Deus, como foi à cirurgia.
    - Calma pessoal, foi tudo bem, melhor até do que esperávamos logo vocês verão a Alice, acreditamos que pelo sucesso da cirurgia sua recuperação se dará muito rápida. A alegria quando é muita salta aos olhos em forma de lágrimas, e os nossos olhos pareciam cachoeiras, tudo estava indo muito bem, dentro de poucos dias eu surpreenderia a todos, eu já havia comunicado aos meus pais, que por sinal muito se alegraram com a notícia que dei, agora restava a família da Alice.

                                ****

    Duas semanas depois, e a minha amada já estava em casa, como o médico disse que sua recuperação estava indo de vento em poupa, a hora finalmente havia chegado, reuni toda a família na sala da casa de Alice, todos estavam apreensivos, embora já desconfiasse das minhas intenções.
     - Bom dia a todos, o motivo de reuni-los aqui é
que tenho um comunicado muito importante para lhes dizer, na verdade é um pedido para Alice - os olhos azuis dela se arregalaram - Alice, diante de todos, eu quero lhe fazer um pedido, vindo do fundo do coração... Você aceita se casar comigo. Lágrimas como correntezas nasceram dos belos olhos de Alice.
    - Mais é claro que sim meu amor, é o que eu mais quero, é o que eu mais desejo, hoje você fez de mim a mulher mais feliz do mundo, eu te amo, eternamente te amo.
    Essa é a minha história meus amigos, eu sei que é uma história bem maluca, mas foi dessa forma que conheci Alice, essa é nossa história de amor, logo depois fomos ao altar, foi uma festa maravilhosa, nos casamos pouco tempo depois, meus pais amaram a Alice, o amor é real, ele foi real para mim, e fez de mim o homem mais feliz do mundo e o artista mais inspirado de todos. Sei que tem muitas pessoas que não acreditam mais no amor, que o despreza, esse sentimento lindo e maravilhoso existe, o amor é assim, imprevisível e surpreendente é o conquistador dos corações mais duros.

Macedo Pena
Enviado por Macedo Pena em 13/08/2017
Reeditado em 13/08/2017
Código do texto: T6082252
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Sobre o autor
Macedo Pena
Sorocaba - São Paulo - Brasil, 35 anos
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