ALMAdeVAQUEIRO-ChicoDoCrato-GeraldoDoNorte

Publicado por: ChicoDoCrato
Data: 16/07/2017
Classificação de conteúdo: seguro

Créditos

ALMAdeVAQUEIRO-ChicoDoCrato-GeraldoDoNorte ChicoDoCrato, Música, Voz, Violão, Sintetizador Arranjo, Mixagem e Adaptação do Cordel de GeraldoDoNorte Audacity 080 Ritmo 000+30 em Sol+. Gravação caseira.Gravar em estúdio. Copyright: proibir a cópia, reprodução, distribuição, exibição, criação de obras derivadas e uso comercial sem a sua prévia permissão. A proteção anticópia é ativada.
Copyright © 2017. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.

ALMAdeVAQUEIRO-ChicoDoCrato-GeraldoDoNorte

ALMAdeVAQUEIRO-ChicoDoCrato-GeraldoDoNorte

ChicoDoCrato, Música, Voz, Violão, Sintetizador Arranjo, Mixagem e Adaptação do Cordel de GeraldoDoNorte

http://www.recantodasletras.com.br/audios/cancoes/75510

Audacity 080 Ritmo 000+30 em Sol+. Gravação caseira.Gravar em estúdio.

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A proteção anticópia é ativada.

Eu ofereço orações

Para as almas dos vaqueiros

Que assim como zelações

Percorrem sertões inteiros.

Por isso em noites escuras

Olhando bem pras alturas

Se vê Luz, o Fogaréu…

Não temem, mantenham a calma

Que com certeza são almas

Nos cavalgados do Céu.

Então, se ouvir um tropel

Feito estouro de boiada

É só tirar o chapéu

Se benzer, sem temer nada

Pois são almas com saudade

E, soltas da gravidade,

São livres na Cobertura

E sobre corcéis alados

Vêm ver como tem passado

Os bichos dessa planura.

Aqui, sofreram agruras

Correndo atrás de animais

Se embrenhando nas lonjuras

Como quem busca ideais.

Desse jeito faz sentido

Pra quem tem bicho perdido

Se armar de muita fé

E rogar para os vaqueiros

Que eles chegarão ligeiros

Pra fazer o que puder.

E nem precisam sequer

Prometer às santas almas,

Uma oferenda qualquer;

Milho, feno, fruta ou palma

Pois o melhor pagamento

Pra um vaqueiro é o alimento

De um animal de estimação

E eles amaram todos

Tratavam e mantinham gordos

Sem nenhuma distinção.

Doutores na profissão

Foram obstetras de vacas

Puxando crias à mão

Quando as mães estavam fracas

E assim salvaram magotes

Toda sorte de filhotes.

Vaqueiro tem a mão santa

Onde põe um dedo cura

E na fé forte e segura

Faz crescer tudo o que planta.

No trabalho se agiganta

Vivendo o fim de aventuras

Conselhos , não adianta,

Faz parte da conjuntura.

Brincadeiras perigosas

Estripulias amorosas…

Eles tiveram demais

Com sua fé e seus cantos

Seus olhos só viram o pranto

Quando morreram animais

Pros bichos, foram babás

Por feiras, campos e baias

Das caatingas, generais

Nunca fugiram dos raios

Com chapéus de abas curtas

Sua figura se avulta

Na cultura brasileira

Forrós, repentes, cantigas,

“Causos”, histórias antigas

E as receitas caseiras.

Quando um bicho de primeira

Que ele mesmo amansou

Foi pro abate na feira

Sentiu-se tomado de dor.

E como contra-veneno

Pra um outro animal pequeno

Transferiu o seu carinho

Do animal que se foi

E assim amansa outro boi

Pr’aquele patrão mesquinho.

Vai fazer seu caminho

Sobre a cela do alazão

Tapando pedra e espinho

Jamais perde a atenção

Seu despertador é o galo

Seu companheiro o cavalo

Melhor amigo, seu cão

Se sofre de amor, não diz

É um São Francisco de Assis

De bota, chapéu e gibão.

Vaqueiro de convicção

Se uma cobra morde o bicho

Ele parte pra ação

Suga o sangue no capricho

Mas se morre um animal

Reza, faz “pelo sinal”

Guardando um dia de luto

Os bichos todos agradecem

Mugidos são como prece

Pr’aquele Cristo Matuto.

Pra um vaqueiro é insulto

Se o chamam de boiadeiro

Porque faz lembrá o vulto

De um machante, de um toureiro

O vaqueiro é protetor

Seu papel é defensor

Honra o nome e a arte

Não mancha as mãos de sangue

Desse povo, dessa gangue

O vaqueiro não faz parte.

Vê nuvens em estandartes

As flores dos trapiás

Que a natureza reparte

Com o canto dos sabiás

E oferece as estrelas

As moças depois de tê-las

Na quentura da paixão

E sempre assumem a vera

Os filhos da primavera

Que nascerão no verão.

Difícil definição,

Meio sonho, meio mágoa

Feito fruto do sertão

Que tem mel em vez de água

O vaqueiro desse jeito

Juntando dentro do peito

Pedaços de integridade

Meio animal, meio santo

A roupa de couro é um manto

Ele inteiro, Humanidade.

Quando Deus cheio de bondade

Lança a terra a escada

O velho sela a saudade

E sobe a última morada

Mas lá em cima ele não para

Tropeia em noites claras

Abóia na imensidão

De repente, a luz um rastro….

É ele montando um astro

Dando aos bichos a benção.

Foi vida com coração

Doação o tempo inteiro

Cumpriram a obrigação

E deixaram pros herdeiros

Não dinheiro, mas um nome

E os valores que não somem

E nem se perde no tempo.

Em cada velha fazenda

Um vaqueiro virou lenda

Deixaram lição no exemplo.

Bis

Neste poema contemplo

Quem cumpriu com seu dever

E hoje se acha no templo

Magnânimo do poder.

Porque cumpriu a missão

Na luta sem omissão

Ou um minuto de pausa

Por Deus, tem que ser benquisto

Porque com Jesus Cristo

Deu a vida numa causa

ChicoDoCrato e Geraldo do Norte
Enviado por ChicoDoCrato em 16/07/2017
Reeditado em 16/07/2017
Código do texto: T6056149
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