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O cabaré da República


                                    O CABARÉ DA REPÚBLICA

             
                  Tudo está perdido quando os maus servem de exemplo e os
                  bons são motivo de piada  (Demóstenes)

          À questão de uns seis meses publiquei nos canais de mídia onde escrevo, um artigo sob o título “O rendez-vous da República” comparando a situação do Brasil a um rendez-vous, um local de encontro entre casais infiéis. Como é uma expressão meio em desuso tive que explicar seu significado. Agora como nossa situação sociopolítica involuiu, decidi ampliar o assunto para “O cabaré da República”, tema que será título de um livro que começo a escrever, que narra a sistemática desmoralização da política brasileira.

           Ora, quem não domina a terminologia do burlesco vai perguntar se não se trata da mesma coisa. Não, não é! Enquanto rendez-vous é algo meramente pragmático, quase probo, onde casais lá se refugiam por absoluta necessidade, procurando o anonimato e o furtivo. Embora o rigor do julgamento moral de alguns, o cabaré, a partir de suas origens parisienses, é algo mais escrachado e nada reservado, onde as pessoas que lá comparecem não fazem questão de se esconder: vão para se divertir, falar alto, dançar, encher a cara, brigar se for preciso.  O rendez-vous é o motel moderno algo com grife e classe, enquanto o cabaré é um frege insalubre e debochado...

          O ambiente do cabaré, tal qual os Três Poderes de nossa pobre República é algo sujo, no qual a gente tem que estar sempre se cuidando para não levar uma garrafada ou nos passarem uma rasteira, esse perigo tematiza todas as excrescências que brotam da fétida e vergonhosa cloaca nacional seja no Executivo, Legislativo ou Judiciário.

         Tal qual Brasília, o cabaré é um lugar de prostituição onde todo mundo se vende descaradamente. Lá ficam as meninas sentadinhas, de saia justa, coxas a mostra e bolsa a tiracolo, esperando quem pague mais por seus serviços. Elas vão com qualquer um, basta mostrar a cor do dinheiro... A diferença de Brasília é que os Governantes, Funcionários, Senadores, Deputados e Magistrados ainda não estão de minissaia, mas vestem ternos escuros, sapatos de cromo alemão e pastas de couro (ou seriam malas?) para carregar os “honorários” ilícitos. Afinal, no Brasil quem rouba e quem julga são os mesmos, já que o Congresso é um esgoto a céu aberto. O presente texto, composto preliminarmente como peça jornalística, vai servir de arcabouço para a “introdução” ao livro aludido, que terá dez capítulos, cada um mais chocante, escabroso e revelador que o outro.

          Nosso descarado cabaré dá expediente desde aquele evento danoso e imoral que eles chamaram de “descobrimento” e os mais sensatos titulam de “invasão” porque aquela terra já tinha dono. Nossa crise ética e moral teve data para começar: 22 de abril de 1500 e depois passou pelo nepotismo das “capitanias hereditárias”, pelo período colonial’, pela escravatura dos negros e pelo Império, quando Dom Pedro II dava “mesada” aos deputados para aprovarem seus projetos (um “mensalão”?).


          Como se vê, é um cabaré com cinco séculos de tradição e desordem.
Antônio Mesquita Galvão
Enviado por Antônio Mesquita Galvão em 11/08/2017
Código do texto: T6080902
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Antônio Mesquita Galvão
Canoas - Rio Grande do Sul - Brasil, 75 anos
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