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O que exatamente é o prazer?


O que é prazer?

Epicuro tem muito a dizer para nós sobre isso. Porém, vamos fazer uma análise mais periférica neste assunto tão falado mas pouco compreendido.
Prazer, em termos gerais de senso comum, seria quaisquer coisa ou ação que gere espécies de "orgasmos" mentais ou físicos. Diferente do que se é muito falado, o prazer não é unilateral, imputando-o às pessoas somente se as mesmas fizerem algo eticamente correto, como fazer uma boa ação social ou prezar o bem estar em sociedade, nem muito menos apenas levar para o lado pessoal, como estar junto com a pessoa amada ou fazer "aquela" viagem. Mesmo que eticamente incorreto, o prazer do senso comum pode ser alcançado cometendo ações negativas para a sociedade, mas que agrada a moral do indivíduo. O prazer do senso comum é multifacetado e polilateral.

Porém, se analisado somente desta forma, o prazer é subestimado e rotulado à uma gama de ações. O que seria o prazer senão a consequência inesperada de uma ação moral positiva aleatória? Quando eu digo inesperada, não quero dizer somente em termos de surpresa, mas sim em "quebrar o óbvio".
O prazer, mesmo que buscado, perde a intensidade se os meios que o alcançaram são os mesmos, repetidamente.

Veja o seguinte exemplo:
Você raramente tem a oportunidade de degustar um vinho de alta qualidade, dos comerciantes mais caros do mundo. Além disso, quando tem a oportunidade, se deleita com o cheiro e o sabor, pois ama esta "maravilha". Inegavelmente, você sente prazer ao poder degustar esse vinho. Entretanto, se isso passa a ser feito com frequência, a "mágica" do vinho se perde, pois você se acomoda e espera sempre poder degustar esse vinho. Mesmo com o sabor e o cheiro continuando o mesmo, o valor que você dá àquela conquista não é a mesma.

Diferentemente do que Epicuro falava, você não é obrigado a buscar as coisas simples da vida se quer obter prazer, essa é apenas uma das formas. O prazer é adaptável para as diferentes mentes e morais. Porém só existe um dogma. O prazer tem que estar em constante mudança, tanto em relação à meios, quanto em relação à fins. Se você não sente mais o mesmo prazer degustando aquele vinho, busque novas formas de prazer que correspondem ao antigo sentimento que você obtinha com essa bebida.

A felicidade e o prazer andam de mãos dadas, mas existe essa diferença crucial: A felicidade pode acontecer independente das circunstâncias, e ela não exige mudança. Se algo te faz feliz e é isso que você busca, não precisa mudar de foco.
Porém, o prazer é obrigatoriamente mutável, porque ele se acomoda se os meios se repetirem sempre, sem alternância.
Porém, há uma exceção:
Se você vive de momentos inesperados, e isso o faz bem, o prazer não se muda, mesmo que os fins continuem os mesmos. Isso porque você não busca necessariamente aquele prazer, e isso não seria cíclico, vindo sempre em forma de surpresa.
Então uma dica é buscar a felicidade em uma linha tênue com o prazer, pois vivendo de momentos e fazendo ações totalmente inocentes, o prazer virá por consequência, e você esperará isso, só não saberá a data e como acontecerá. Isso irá jogar para escanteio a regra de que o prazer é necessariamente mutável. Mas a coisa mais importante é lembrar que o prazer não aumenta o orgulho nem o ego, mas sim potencializa a simplicidade do seu eu-interior.
Leonardo Nali
Enviado por Leonardo Nali em 10/01/2017
Código do texto: T5878201
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
Leonardo Nali
Castelo - Espírito Santo - Brasil, 18 anos
29 textos (574 leituras)
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