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Está certa a lei de descriminalização do aborto?

Contrastando a polêmica que assola mentes sem informação ao redor do Brasil, opino sobre o projeto aprovado pelo Supremo Tribunal Federal dias atrás, sobre a descriminalização do aborto EM ESPECÍFICOS CASOS, até 3 meses de idade. A laicidade do Estado impede a inserção de pautas religiosas em projetos e leis na política. Na teoria, isso é otimizado e amplamente utilizado por defensores da aplicação rígida da Constituição Federal no Brasil, mas na prática não funciona. Ulysses Guimarães, há tempos atrás, já explicara a inaplicabilidade de muitas e muitas leis da Constituição de 88. Doutores sem diploma, espalhados por guetos virtuais e "famílias de bem", destilam suas opiniões sem embasamento, levando em conta somente a espiritualidade e religiosidade do fato, que são irrelevantes para a conjuntura completa.
  Inegavelmente, religiosas ou não, as mulheres continuarão abortando aos montes das periferias das grandes cidades até os bairros nobres dos valiosos distritos empresariais. A notável diferença é que as mulheres pobres morrem junto com o feto abortado; as mulheres ricas não. Qual é o motivo disso?
A princípio, com a prática do aborto totalmente criminalizada, as mulheres, desesperadas, procuram métodos ilegais para poderem fazê-lo. E, obviamente, a quantidade de recursos financeiros é inversamente proporcional à periculosidade do processo. Mulheres pobres, que vão a "médicos" sem diploma, sem o protocolo adequado, acabam correndo o risco muito maior de morrerem no processo, e a lei aprovada esta semana pode acabar com isso.
  Alguns dogmas religiosos, impregnados nas mentes influenciáveis de grande parte da população brasileira, acabam por subjugar demais a praticidade da lei. Há a confusão da descriminalização com a legalização de uma prática. Não é em qualquer esquina ou posto de saúde que uma mulher conseguiria abortar, e a aprovação da lei não aumentaria o índice de abortos no país. Se o índice de abortos em diversos países diminuíram junto com a mortes das mulheres envolvidas depois da descriminalização do aborto, o Brasil não pode ser uma exceção.
Além disso, o feto não desenvolve sistema nervoso até a 24ª semana, então você não está fazendo o feto sofrer. Tecnicamente, você está impedindo o desenvolvimento de uma vida, mais do que tirando-a.
  Um ponto importante é que grande parte dos 1 milhão e meio de abortos por ano no Brasil vem de regiões que carecem de qualidade de vida. É inegável que uma criança nascida de uma gravidez indesejada, em berço de periferia tem uma chance muito grande de sofrer durante toda sua infância e juventude, com: ausência de alimentação, qualidade de estudo e segurança, e influência muito grande primariamente da criminalidade que os acercam. Essa gravidez indesejada, faz muitas vezes que a mãe (que, também, muitas das vezes é mãe solteira) deixe o filho à mercê do mundo ou que não cuide com corpo e alma da criança. Essa defesa da vida, que vem de parte da população, se reverte em ataque à ela quando a criança nasce e entra no mundo do crime. Neste caso, a criança teve "chance de escolher" e agora deve ser morta, pois "bandido bom é bandido morto".
A descriminalização do aborto não faz com que ele seja banalizado, e esse ponto é muito importante. As mulheres que o fazem sempre estão exercendo a última opção, em momento de desespero, e não querem colocar uma criança no mundo sem o interesse de cuidar dela.
  Agora, o ponto mais importante, acima de quaisquer ponto religioso ou político: A decisão é da mulher, o corpo é da mulher, e essa decisão cabe somente a ela. Se a mulher é religiosa ela que se resolva com seu Deus depois. A discussão não é se o aborto é uma prática agradável ou não, é unânime que todos, se pudessem, acabariam com o aborto. Mas isso não é possível. A única opção é se é viável salvar as mulheres que o praticam ou não. É mais viável deixar a mulher morrer junto com o feto abortado ou salvar milhares de mulheres pobres espalhadas pelo Brasil? Isso é um jogo de política, não de religião. Se você é cristão, como 90% da população é, faça como Jesus falou: Não julgue, ame. Ser a favor da descriminalização do aborto (até 3 meses, em alguns casos) não é querer abortar. E nem cabe a nós, homens essa decisão. Cabe somente a mulheres que desejarem fazê-lo.
Edmund Alsthern
Enviado por Edmund Alsthern em 10/01/2017
Código do texto: T5878197
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Sobre o autor
Edmund Alsthern
Castelo - Espírito Santo - Brasil, 17 anos
21 textos (428 leituras)
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