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CURIOSIDADES SOBRE A OBRA MUSICAL DE RAUL SEIXAS (22)

      Raul Seixas, musicalmente falando, era difícil de ser classificado. Como definir o álbum “Gita”, por exemplo, considerado por muitos como o maior disco do pop-rock brasileiro? Rock? Forró? Repente? Brega? Diríamos que ele é tudo isso ao mesmo tempo.
      Gravado ao longo do primeiro semestre de 1974, Gita foi inspirado no misticismo que envolvia as vidas de Raul Seixas e Paulo Coelho. O título veio do livro sagrado Bhagavad Gita, a história de quando Krishna encontrou o guerreiro Arjuna no campo de batalha em Kurukshetra para lhe passar os ensinamentos sagrados durante uma importante guerra à época.
      É possível ouvir exatamente aquilo que Krishna disse para Arjuna no campo de batalha: que ele era tudo e estava em tudo (Eu sou a luz das estrelas/ Eu sou a cor do luar/ Eu sou as coisas da vida/ Eu sou o medo de amar). Raul Seixas conseguiu traduzir a complexidade de um livro estudado por anos no ocidente e no oriente, sem qualquer dificuldade.
      Uma curiosidade importante sobre a faixa título desse disco, a mística canção Gita, é a de que ela contou com 62 pessoas no estúdio para gravar seus arranjos – Seixas tocou piano. Uma orquestra composta por 62 músicos executando um momento sublime do pop brasileiro: “Gita”. Raul queria algo épico. Ele sabia que seria uma marca deixada na face da história da música. O fechamento desse maravilhoso álbum não podia de forma mais sublime.
      Uma música com tamanha qualidade filosófica e poética, mantendo o contexto pop e sendo ouvida por multidões, só pode confirmar o tamanho da inteligência de Raul. Não há outro artista no Brasil que tenha sequer chegado perto dessa conquista.

                    Confiram abaixo, na íntegra, a letra de Gita

“Eu que já andei pelos quatro cantos do mundo procurando, foi justamente num sonho que Ele me falou.”

Às vezes você me pergunta
Por que é que eu sou tão calado,
Não falo de amor quase nada
Nem fico sorrindo ao teu lado.

Você pensa em mim toda hora
Me come, me cospe, me deixa,
Talvez você não entenda
Mas hoje eu vou lhe mostrar.

Eu sou a luz das estrelas
Eu sou a cor do luar,
Eu sou as coisas da vida
Eu sou o medo de amar.

Eu sou o medo do fraco
A força da imaginação,
O blefe do jogador
Eu sou, eu fui, eu vou.

Gita, Gita, Gita, Gita...

Eu sou o seu sacrifício
A placa de contra-mão,
O sangue no olhar do vampiro
E as juras de maldição.

Eu sou a vela que acende
Eu sou a luz que se apaga,
Eu sou a beira do abismo
Eu sou o tudo e o nada.

Por que você me pergunta
Perguntas não vão lhe mostrar,
Que eu sou feito da terra,
Do fogo, da água, do ar.

Você me tem todo dia
Mas não sabe se é bom ou ruim,
Mas saiba que eu estou em você
Mas você não está em mim.

Das telhas eu sou o telhado
A pesca do pescador,
A letra A tem meu nome
Dos sonhos eu sou o amor.

Eu sou a dona de casa
Nos pegues pagues do mundo,
Eu sou a mão do carrasco
Sou raso, largo, profundo,

Gita, Gita, Gita, Gita...

Eu sou a mosca da sopa
E o dente do tubarão,
Eu sou os olhos do cego
E a cegueira da visão.

Mas eu sou o amargo da língua
A mãe, o pai e o avô.
O filho que ainda não veio,
O início, o fim, e o meio.
O início, o fim, e o meio.

Eu sou o início, o fim e o meio.
Eu sou o início, o fim e o meio.
Paulo Seixas e Sites da Internet
Enviado por Paulo Seixas em 05/10/2017
Reeditado em 05/10/2017
Código do texto: T6133601
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
Paulo Seixas
Campina Grande - Paraíba - Brasil
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