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Minha experiência com o filme 50 tons mais escuros

 
Primeiro eu tenho de admitir que não é o gênero literário que me chame a atenção, mas com certeza não foi esse o motivo que me fez abandonar o primeiro livro pouco depois da metade. O – DI – EI!
Mas, em um dia ocioso no serviço acabei assistindo o DVD pirata do primeiro filme, 50 tons de cinza, que um colega trouxe de casa.
Minhas impressões sobre o filme: Muito ruim. Enredo, atuações, fotografia, trilha sonora, tudo... não é um filme que não dê para assistir até o final... sim, dá. Mas é tudo tão clichê, tão exageradamente falso, as cenas são tão mal colocadas que dá uma certa agonia. No entanto tem sexo, e sexo é uma coisa que dá vontade de assistir até o final. Único motivo aliais.

Tá, novamente em um dia ocioso andando pelo Shopping e esperando a hora passar para buscar meu irmão no serviço, eis que me deparo com o cartaz da continuação do “bendito” filme. Não pude resistir. Sou dessas. Mesmo que eu não goste de um filme, se tem continuação, lá estarei eu. Sou dessas.

50 tons mais escuros. Enredo ruim, atuações ruins, fotografia até que melhorou um pouco, trilha sonoro me agradou bastante, colocação das cenas até que não foi dos piores. Dá para assistir até o final. Tudo continua muito clichê e exageradamente falso e dá até uma certa agonia de tão repetitivo. No entanto tem sexo e por isso a gente vai até o final. E é aí que o filme ganha a minha simpatia. As cenas de sexo estão consideravelmente melhores. Em algumas dá até um calorzinho. Em outras um friozinho se arrisca ali pela região da espinha dorsal. Tímido, é verdade. Mas a gente consegue senti-lo. E isso é bom para o filme porque alcança, mesmo que de forma fraca, o seu objetivo que é trazer algum tipo de emoção para o expectador.

Assistiria de novo. Acho que sim, em um dia ocioso no serviço.

Não sou crítica de cinema. Amo, adoro cinema, estou lá desde pequenininha. Não conheço termos técnicos, talvez um aqui e outro ali, nada considerável. Mas eu sei de uma coisa. Eu sei sobre emoção.

Existe dois mundos. O nosso e o das telonas. A gente passa por uma criança na rua, suja e maltrapilha, com olhos queimados pelo sol de tanto olhar para cima pedindo uma moeda para as pessoas que passam por aquele caminho. Todos os dias passamos por essa criança. Mas não sabemos que o tom esverdeado confere um ar todo melancólico aos seus olhos, nem muito menos que a fuligem da poluição urbana deixa um expecto cinza, frio e duro como a superfície do aço. Passamos por essa criança pela rua e os óculos escuros que usamos nos impede de ver a luz refletida em seus claros e embaraçados cabelos, e perdemos o brilho multicor que é criado pelo prisma da luz refletida naqueles cabelos. Todos esses detalhes nos fogem aos olhos cotidianamente. E no nosso mundo real as emoções acontecem de forma interpessoal. Então raramente somos capazes de nos emocionar com a figura de uma criança de rua, mesmo que essa denominação “criança de rua” nos inspire profunda compaixão.

Emoção é o princípio básico do mundo das telonas. A sétima arte é a responsável por nos fazer enxergar os detalhes nas cenas cotidianas que irão nos emocionar. E quando falamos em emoção não é apenas aquela relativa ao sentimento melancólico, com olhos lacrimosos e nós na garganta. Não. Toda a reação corporal provocada por um estímulo externo, que no caso é uma cena de um filme, é emoção, seja uma crise de riso por uma cena engraça, ou a tristeza profunda pela morte de um cachorro, ou ainda a raiva de uma grande injustiça vivenciada pelo protagonista, enfim, o pior filme é aquele que não gera emoção, ou aquele que gera emoção, mas não a esperada pelo diretor, como por exemplo quando o Diretor faz um filme de drama, mas o drama é tão “mexicano” que a gente sente vontade de rir, nos momentos que não tinham essa finalidade.

Filme bom para mim é o filme que me faz sentir a emoção proposta pelo diretor.  Alcançar essa finalidade vai depender de uma série de fatores: atuação, fotografia, figurino, trilha sonora, enredo, colocação das cenas, etc.

Tem filmes que em alguns momentos conseguem atingir a sua finalidade, como um filme de drama que não consegue nos fazer sentir compaixão do protagonista, mas nos faz rir em cenas de alívio cômico. Esses, para mim, não são filmes bons, mesmo que tenham me causado algum tipo de emoção, a emoção proposta pelo diretor não me atingiu, afinal era um filme de drama e não de comedia... mas também não é um filme totalmente ruim, por causa desses momentos em que determinadas cenas atingem a finalidade proposta e gente até consegue assistir ao filme até o final, mas fica aquela sensação de "poxa, poderia ter sido melhor..." enfim.

Quando eu penso em um filme baseado naquela porcaria de livro chamado 50 tons de cinza (porcaria fica por minha conta), eu penso em um filme cujo objetivo é me fazer torcer para que o carinha se endireite e fique com a mocinha e façam muito sexo/amor juntos. No entanto quando eu assisto ao filme essa emoção não me alcança, essa parte é muito fraca e prejudicada pelas atuações pouquíssimo convincentes e diálogos totalmente previsíveis. Dá canseira.

O cara é muito bonito e tals. Não chega a ser um Deus grego é verdade e aquela barba por fazer definitivamente não convence. A menina pelamor... franja?? É sério isso?? Ela não inspira nada. Nem inocência, nem despropósito, nem sedução, não parece uma pessoa interessante, nem doce, nem forte, nem se quer tem lá essas belezas. Será que era isso mesmo o propósito do autor? Sei não. Mesmo que fosse não convenceu, não mesmo. E as mulheres de meia idade que atuam no filme... Jesus o que eram aquilo... "amiga tá feio". Botox passou e ficou para morar, heim. Muito ruim, muito ruim, muito ruim. Sobre as atuações... olha vcs não fizeram isso certo e ponto.

Em uma ou outra cena que a gente torcia... até cheguei a escutar um “ahhh” de uns e outros no fundo da sala do cinema. No geral eram sorrisinhos constrangidos por causa das cenas de sexo ou por um alívio cômico... nada demais.

O figurino também me incomodou um pouco. Ora a mocinha se vestia com roupa demais, ora com roupa de menos... mais heim? Afinal, ela é ou não é recatada? Não entendi esse joguete. Também não estou me referindo aos momentos que ela se vestia para o carinha com as roupas fornecidas por ele, me refiro aos momentos em que ela é ela mesmo. O Figurino relava a personalidade da personagem, por isso existe uma equipe toda voltada para isso e um diretor para cuidar minunciosamente dessa parte. Se não pra que, né?. Basta usar a mesma roupa que saiu de casa. Será que foi esse o caso?

Mas vou passar logo para a parte boa do filme. Sexo. Achei aceitável. Gostei. Teve o cuidado de não mostrar demais, mas deixou razoavelmente explicito, considerando que totalmente explicito seria a câmara focando na penetração propriamente dita o que já seria um artifício típico dos filmes pornográficos o que não seria o caso. Voltando para o caso, o filme traz essas cenas de sexo, com algumas incertezas, sim. A cara de prazer da mocinha não te convenceu? É, nem a mim. Mas ela tentou. As preliminares não eram lá essas coisas, mas até que deu uma vontadezinha. Em mim deu, em vc não?

Em suma. O filme é para ser um romance que trata de uma menina virgem que desperta o interesse em um cara viciado em fetiche sexual sádico que se autodenomina  "dominador". A menina se apaixona pelo cara estranho, o cara estranho se apaixona pela menina. A menina percebe que o cara estranho é estranho demais para ela e tenta sair fora. O cara estranho percebe que ama a menina agora já não tão virgem assim e tanta de todas as formas reconquista-la. A menina não tão virgem volta para o cara cheia de inseguranças por causa dos  segredos e estranhices dele. O cara acha que pode mudar pela menina já nada virgem e a pede em casamento. A menina já nada virgem aceita o pedido e o filme acaba sem que saibamos se o cara estranho vai se regenerar de verdade ou não. No meio da história tem sexo e sadismos, mas nada demais.

Não consigo comprar a história do cara estranho muito menos da menina nada virgem e quando assisti ao filme só queria saber a próxima treta sexual que ele iria fazer com ela e ponto. Se o filme é bom. Não achei. Mas prende a atenção no quesito sexo.

Apesar de todas as críticas eu não odiei o filme. Deve ser muito difícil fazer um filme funcionar quando a história é ruim. Mas enfim. Para um filme com uma história tão ruim até que esse agrada. Acho que o diretor fez das tripas coração e no final o resultado não foi de se jogar fora. Dá para assistir, pelas cenas de sexo, elas entretêm.

Nota: 4,5 e sinta-se feliz por isso.

Ah! Toda a lenga lenga de feminismos...eu sou feminista, mas definitivamente este não é o caso. Não cabe tratar de temas feministas aqui, afinal é um filme e existe uma coisa chamada liberdade criativa que temos que aceitar e respeitar.
Camila Gimenez
Enviado por Camila Gimenez em 14/02/2017
Reeditado em 14/02/2017
Código do texto: T5912531
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre a autora
Camila Gimenez
Gama - Distrito Federal - Brasil, 29 anos
35 textos (2526 leituras)
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Camila Gimenez